As dificuldades não impediram a Anjo de abrir suas asas

A base, construída por Beto Colombo, permitiu diversificar negócios

Da Redação

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Unidade da catarinense Anjo Tintas

O trecho a seguir faz parte do livro “Santa Catarina – Grandes Marcas”, publicado pelo Instituto AMANHÃ.


Pinceladas que escaparam da letra A e formam uma asa? Ou uma asa que, conectada à primeira letra do alfabeto, parece ter sido feita pelas pinceladas de um artista? Não importa. Caprichosamente desenhada, a bela asa colorida é parte importante da logomarca da Anjo Tintas, de Criciúma, uma das grandes fabricantes brasileiras de tintas para diferentes segmentos, solventes e complementos. 

O anjo que dá nome à empresa tem muito a ver com a história de vida do fundador, Beto Colombo. Em meados dos anos 1980, o futuro empresário dividia seu tempo entre o emprego de balconista em uma loja de tintas e as aulas de Teologia. A mulher estava grávida e o Monza branco ano 1985 na garagem era sinal de alguma prosperidade. 

Mas Beto queria mais. Na loja, uma das dores de cabeça do vendedor era atender aos pedidos dos clientes em um tempo razoável. A massa plástica revendida em Criciúma era fabricada em São Paulo, trazida de caminhão até o sul do estado – em uma viagem por estradas não duplicadas, ainda que menos movimentadas do que hoje em dia – e tinha prazo de validade de apenas 90 dias. Para não perder mercadoria, o dono da loja era obrigado a controlar o estoque. Muitas vezes, a validade dos produtos expirava ou faltava mercadoria para atender rapidamente aos grandes pedidos. 

Em vez de voltar para casa e importunar a esposa grávida, reclamando da incompreensão dos fregueses, Beto identificou uma oportunidade nesse cenário. O que viria a ser a Anjo surgiu como uma proposta aparentemente óbvia e simples – como costumam parecer as melhores ideias depois que alguém já as teve. Por que não fabricar massa plástica mais perto dos consumidores – e assim atender a todos os pedidos no prazo adequado e ainda garantir aos donos de lojas mais facilidade na gestão dos estoques? 

Em 1986, o Monza da família foi negociado e financiou a compra de uma pequena fábrica desativada. No mesmo dia nasceram Filipe, o filho de Beto Colombo, e a Colombo Indústria e Comércio de Massas Plásticas, que não por acaso ganhou do ex-estudante de Teologia e agora pai o nome Anjo. Com produção de duas toneladas por mês, capaz de atender a pedidos dos clientes da região em até cinco dias, a empresa cresceu, não sem solavancos. Trabalhando com um telefone emprestado e sem garantias a dar aos bancos, que negavam qualquer crédito ao novo empresário, Beto Colombo teve de vender também a casa, depois de seis meses no mercado, para comprar mais matéria-prima. 

As dificuldades não impediram a Anjo de abrir suas asas. Em 1987, a produção alcançou as 20 toneladas mensais; e, em 1994, um ano após a conquista da liderança do mercado nacional, as vendas chegaram a 252 toneladas por mês. A base, construída com tanto esforço, sacrifício e tino para os negócios, estava consolidada e permitiu a diversificação, com a entrada em novos mercados, como o de thinners e solventes. 


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