Marcos Troyjo e o planeta Terra

Ele seria uma voz considerada em qualquer país do mundo que quisesse formular políticas públicas de longo alcance

Por Fernando Dourado Filho, de Brasília (DF)

Marcos Troyjo

Cheguei a uma idade crítica. E o que a torna mais aguda, é que já não posso me dar ao luxo de desperdiçar uma semana sem conversar com alguém que não formule uma visão original sobre as coisas do mundo. Assim sendo, quando cai a tarde da sexta-feira, tenho de olhar para trás e ter o mínimo de satisfação com respeito a pelo menos um contato pessoal dessa natureza. Uma troca de impressões durante a qual meus olhos tenham faiscado, o coração tenha batido mais rápido e o ânimo tenha saído revigorado.  

Pois bem, não tenho do que me queixar dessa entrada de dezembro. Isso porque pude conversar por mais de uma hora com meu mais novo velho amigo, o ex-diplomata Marcos Troyjo, cujos brilhantes artigos eu já acompanhava pela imprensa há bom tempo. Sem querer esgotar aqui a abrangência de uma conversa de há muito ansiada, gostaria de enfatizar três pontos relevantes que me ficaram do bate-papo. Como não poderia deixar de ser, falamos sobre a inserção do Brasil no cenário internacional. E, para minha alegria, vi que não estou só em minhas inquietações. 

a) Marcos defende que temos ser mais proativos em nossas ações promocionais no exterior. Isso passa, evidentemente, por reinventar nossa diplomacia e dotá-la das vitaminas necessárias a uma agenda propositiva, e não reativa. Acha que o Itamaraty nunca foi uma referência na promoção comercial, salvo por duas honrosas exceções. E que o modelo APEX, com todos os méritos da instituição, permanece a reboque do calendário de eventos mundiais. Daí a pergunta: em que momento tomaremos a dianteira?

b) Outro ponto digno de nota é a necessidade de encetarmos ações promocionais em favor da pequena e média empresa, consoante os modelos consagrados na Europa. Sendo elas tão relevantes na geração de emprego, passa da hora de lhes incrementarmos a navegação pelo mercado externo. É claro que os agregados tecnológicos têm de pontuar alto nas prioridades, mas a concertação setorial pode ser articulada por um Estado menos passivo. Nosso DNA é meio caipira e a acolhida ao investidor precisa ser direcionada por agentes públicos também;

c) Estados da envergadura de São Paulo – e de alguns outros–, poderiam emular a prática de dezenas de congêneres norte-americanos.  Mais de 30 Estados dos EUA estão representados no Brasil com escritório próprio ou consorciado. Isso pelo simples fato de que a diplomacia nacional, isoladamente, não pode suprir as necessidades de interlocução setoriais. Recomenda a governadores que adensem sua agenda internacional e que se comprometam pessoalmente à frente de missões. Por fim, acha Cingapura um parceiro estratégico na Ásia.  

Mas teve muito mais. Inclusive um capítulo sobre as Zonas de Processamento de Exportação, em que exploramos fartamente a criação de Shenzen, um case que nos fascina. Mas, como adiantei, não dá para esgotar tudo. Qualquer hora dessas, volto com mais elementos. Marcos Troyjo seria uma voz considerada em qualquer país do mundo que quisesse formular políticas públicas de longo alcance. E, sobretudo, naqueles que sonham em desempenhar um papel relevante no cenário global, à altura de sua envergadura. Até breve, Marcos.  


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