Apostar contra o Brasil pode ser um péssimo negócio

Economista Richard Rytenband lista sete fatos que provam essa tese

Por Infomoney

Apostar contra o Brasil pode ser um péssimo negócio

Grandes mercados de alta nascem em meio a um grande cenário de pessimismo, assim como mercados baixistas têm como origem grandes ondas de otimismo desenfreado. A afirmação é do economista Richard Rytenband, que recentemente fez um estudo que fundamentou seu "grande call" para a Bovespa neste ano. “Está na hora de investir no Brasil e comprar ações", prega ele. Desde o começo do ano, o Ibovespa acumula ganhos na casa dos 10%, corrigindo as perdas de 2,9% do ano anterior, mas Rytenband acredita em voos muito mais altos. Na avaliação do economista, existe uma excessiva onda pessimista no mercado nacional, que ignora sinalizações positivas e indicações de mudanças concretas na orientação da política econômica, além de uma forte depreciação nos preços dos ativos. "O grande mercado de baixa está próximo do fim. Faltam apenas alguns sinais", afirma. "Há uma série de mudanças de rota na política econômica que estão sendo ignoradas. O ajuste que está em curso é muito mais amplo do que muitas pessoas imaginam. Há um realinhamento nos preços dos ativos, menos intervencionismo, está vindo à tona a verdadeira realidade da economia brasileira. O governo estava adiando isso. Eu esperei muito tempo para ver esses sinais", declara.

Para Rytenband, uma das evidências de reversão do cenário é o próprio comportamento do investidor estrangeiro, que, fora dessa atmosfera tensa do país, consegue fazer análises mais frias e enxergar boas oportunidades. A diversificação na carteira desses grupos permite a eles a possibilidade de esperar um tempo até que essa retomada se confirme. Sendo assim, já teríamos um cenário de investidores de fora tomando posições nas pechinchas verde-amarelas. "É sempre a mesma história: você tem um terror interno, os residentes aqui ficam apavorados e acabam vendendo a preço de banana para os estrangeiros, que estão fora desse movimento de manada. Quem é de fora está frio, é calculista, consegue identificar oportunidades e espera até elas maturarem", observa. O atual momento, sublinha Rytenband, deve ser mais um episódio em que os pessimistas serão severamente punidos por uma reversão da tendência baixista para uma altista no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, quem souber aproveitar, antecipando-se ao movimento, terá resultados muito satisfatórios.

A história a favor do Brasil
Com base nesse cenário, o economista preparou uma breve, porém esclarecedora, retrospectiva histórica que mostra que apostar contra o Brasil pode ser um tremendo mau negócio. Confira os sete episódios listados por Rytenband a seguir.

1. Comprar ações após o país decretar moratória?
Em 20 de agosto de 1983 era noticiado que o Brasil tinha suspendido o pagamento da dívida junto ao Clube de Paris. Após meses de especulação, o país finalmente declarava oficialmente moratória. Logo após, o Ibovespa dolarizado acumulou alta de 1.556% até abril de 1986.

2. Plano Collor e Guerra do Golfo: o fim do mundo?
Entre março de 1990 e janeiro de 1991, as perspectivas eram mais que pessimistas. O Brasil ainda estava sob efeitos do Plano Collor. O mundo estava em plena tensão com a guerra do Golfo e a iminência dos ataques das forças de coalizão contra o Iraque. A partir de janeiro de 1991, o Ibovespa dolarizado acumulou uma alta de 717% até o final de abril de 1992, quando o escândalo que culminaria no impeachment do presidente Collor começou a ganhar corpo.

3. Entrar na bolsa após o impeachment do primeiro presidente eleito pelo povo: um bom negócio?
Sim. O debate e o processo de impeachment contribuíram para uma queda do Ibovespa dolarizado de cerca de 60% entre abril e dezembro de 1992. Mas foi só o impeachment ser oficializado, no final de dezembro, para o índice dolarizado deslanchar e subir 379% até setembro de 1994.

4. Plano Real recém implementado, crise mexicana e fuga de capitais de países dos emergentes: um bom cenário?
Após a euforia inicial com o Plano Real, o Brasil e os demais países emergentes sofreriam um grande teste com o agravamento da crise mexicana em 1995. A ordem era fugir dos países emergentes a qualquer custo, mas na prática não foi bem assim. No auge da noticiada fuga de capitais no início de março de 1995, o Ibovespa dolarizado faria um fundo e subiria 445% até julho de 1997.

5. Crise cambial de 1999: e agora?
Em janeiro de 1999, o governo era forçado a abandonar o regime de bandas cambiais e ver a taxa de câmbio oscilar de R$ 1,20 para R$ 2,15 em um único mês. O mercado financeiro ainda estava machucado com a crise asiática de 1997 e seus desdobramentos. Muitos apostavam no retorno da hiperinflação. Mas nada disso aconteceu. Pelo contrário: no momento em que o câmbio flutuou e disparou, as ações em dólar ficaram tão baratos que os estrangeiros fizeram a festa. O Ibovespa dolarizado subiu 238% até março de 2000.

6. O medo da ruptura de 2002 e os escândalos contábeis nos EUA
O ano de 2002 foi um dos mais turbulentos da história para o mercado financeiro nacional. No plano doméstico, compunham o cenário um processo eleitoral tenso, além da disparada do dólar, juros elevados, crise na indústria de fundos de investimentos e o medo de ruptura na economia. Nos Estados Unidos, escândalos envolvendo as empresas Enron e WorldCom colocariam em xeque a confiança na metodologia adotada até então nas demonstrações contábeis. Com a vitória iminente do candidato de oposição Luis Inácio Lula da Silva e a cotação do dólar a R$ 4, quem seria louco para investir em ações? Louco ou não, em 14 de outubro de 2002 o Ibovespa dolarizado fez um grande fundo para dar início ao último grande mercado de alta que tivemos, com uma valorização de 2.051% até maio de 2008, quando o Brasil ganharia a chancela de Grau de Investimento.

7. Estouro da bolha imobiliária norte-americana e crise mundial
Ao contrário das teorias que acreditavam que os países emergentes saíram ilesos da crise, o Brasil foi duramente atingido. O cenário era assustador. As previsões mais otimistas apontavam para um período similar a grande depressão dos anos 1930. Toda aquela geração acostumada com um mercado em alta e com elevada propensão ao risco seria aniquilada com uma das quedas mais implacáveis de todos os tempos. No meio desse contexto como pensar em investir em ações? Do auge da crise em novembro de 2008 a novembro de 2010,o Ibovespa dolarizado se valorizaria 244%. E mais uma vez ter apostado contra o país no auge do pessimismo custou caro.


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