O nome dela é Arabella

Ela fez mais pelo mundo em alguns minutos do que seu avô na vida toda

Por Fernando Dourado Filho, de São Paulo (SP)

Arabella Kushner, neta do presidente Donald Trump

O ser humano é mesmo um animal fascinante. O que não quer dizer que seja necessariamente virtuoso. Pelo contrário. Certas horas, parecemos movidos a baixos instintos, a bile, a antipatia e ao desprezo pelo próximo. Mas de repente, tudo muda. E justo de onde você achava que jamais brotaria um laivo de simpatia, eis que algo transformador acontece. A que me refiro? Pois bem, ao presidente Donald Trump e sua neta Arabella Kushner.

Vamos aos fatos. Quem me lê neste espaço, sabe que tenho profundas reservas ao avô canastrão. Uma compilação estatística do "Washington Post" estima que ele terá contado até o fim de 2017, a bagatela de 2 mil mentiras em seus nefandos tweets. Como se isso não bastasse, vive para desqualificar o que o antecessor fez de bom e trava batalhas infantis com meio mundo, tanto interna quanto externamente. 

Tudo isso sempre me levou a crer que nada que dissesse respeito a esse cidadão me comoveria, sequer surpreenderia. Mas eis que uma cena me desarmou. E meu velho coração de pedra, tão implacável em seus julgamentos, deixou todo o ressentimento de lado ao ouvir a pequena Arabella cantar em mandarim para o Premiê Xi Jiping. Cantar e recitar graciosos versos em chinês, do alto de uma majestade de 6 anos de idade. 

Na verdade, a performance da garotinha enterneceu um Império de mais de 1 bilhão de almas, e a família Tump, tão controversa em suas investiduras em Washington, por um momento teve genuinamente do que se orgulhar. Pois o que o avô desmancha com os pés, Arabella constrói com as mãos. Ou com a voz, melhor dizendo. As pontes culturais são impagáveis. Na verdade, elas tocam até o mais belicoso dos espíritos. Curti a trégua.

Espero que para os chineses, esta seja mais duradoura. "Che´che", Arabella. Você fez mais pelo mundo em alguns minutos do que seu avô fez a vida toda.

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