Aprendendo marketing com os livros de colorir

O fenômeno ajuda a entender os conceitos de ciclo de vida e tendências

Por André D´Angelo

Aprendendo marketing com os livros de colorir

De uma hora para outra, as vitrines de livrarias e papelarias foram tomadas pelos livros de colorir para adultos, bem como por kits e mais kits de lápis, canetas hidrocores e gizes de cera antes confinados às seções infantis. O fenômeno é útil para tratar de dois conceitos de marketing bastante importantes. O primeiro, clássico, presente em qualquer livro-texto, é o de ciclo de vida dos produtos. O segundo, mais recente e surgido longe dos bancos universitários, é o de tendências/coolhunting.

O ciclo de vida do produto (leia a respeito aqui), embora seja um conceito que mereça reparos, é útil para compreender a trajetória de qualquer categoria de bens, serviços ou tecnologias em um dado mercado. Ela prevê que, tal qual seres humanos, produtos nascem, crescem, amadurecem e morrem e, em cada um desses momentos, um conjunto de características concorrenciais e exigências gerenciais está presente.

No caso dos livros de colorir, aparentemente “O Jardim Secreto” (foto) foi o pioneiro que desbravou o território e o que mais se beneficiou dessa verdadeira febre, sendo o responsável por criar um novo mercado. Seu sucesso, claro, despertou a atenção de autores e editoras, que não tardaram em criar versões próprias de seus livros, em formato convencional ou revista. Se a teoria do ciclo de vida for aplicável nesse caso, a profusão de títulos é um sinal de maturidade do mercado, e de que as vendas chegaram ou estão próximas de chegar ao pico. Quem já apostou nesse mercado pode colher bons resultados. Quem ainda pretende se mobilizar para fazê-lo corre risco de fazer um mau negócio, visto que já há títulos suficientes a disputar a atenção do consumidor.

Logo adiante, o movimento de adultos coloristas deve arrefecer, e poucos títulos permanecerão. Para retardar essa queda e esticar ao máximo a onda, é possível lançar versões segmentadas dos livros, voltadas a targets específicos – como por exemplo uma que tenha duplas de imagens iguais e destacáveis, permitindo que mãe e filha desenvolvam a atividade juntas.

E quanto às tendências (ou coolhunting; saiba o que é aqui)? Alguém poderia afirmar que os livros de colorir constituem uma tendência de consumo. Nada mais equivocado. Tendências são movimentos comportamentais que se refletem no mercado, sob a forma de mercadorias, serviços ou campanhas publicitárias. Os livros, portanto, são o resultado de uma vontade de realizar atividades analógicas, introspectivas e terapêuticas em uma era de hiperconexão. São o produto que remete a uma tendência, e não a tendência em si.

Como toda tendência, ela se parece com uma chave-mestra que permite abrir diversas portas (ou oportunidades de negócios). E, aqui, ciclo de vida e coolhunting convergem: o ciclo dos livros de colorir pode estar rumando para o fim, mas o de outros produtos ou serviços, baseados na mesma tendência comportamental, prestes a começar.

A grande questão, claro, é descobri-los – ou inventá-los.


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