Sem ajuste fiscal, carga tributária poderá aumentar

Alerta foi feito pela economista Zeina Latif, em Florianópolis

Da Redação

redacao@amanha.com.br

Economista Zeina Latif, durante reunião de diretoria da Fiesc, em Florianópolis

“Se não avançarmos no ajuste fiscal, vai ter aumento da inflação ou da carga tributária”, afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif (foto), durante reunião de diretoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), realizada nesta sexta-feira (17), em Florianópolis. “Previdência é a espinha dorsal do ajuste fiscal. Em 2017, com orçamento deficitário de R$ 159 bilhões, 57% das despesas são com previdência e isso vai para quase 80% em dez anos. Antes disso, o Brasil virou Rio de Janeiro, já no próximo mandato presidencial”, alertou. 

Segundo Zeina, o país está nos trilhos novamente e não pode descuidar da agenda fiscal que foi iniciada, mas tem muito a ser feito. “O crescimento da dívida pública pode ser lá na frente um combustível para a inflação. Então é importante conter esse crescimento. Estamos falando de um ajuste fiscal de 3,5% do PIB. Nunca fizemos ajuste desse tamanho. Não é fácil, mas se não avançar, vamos ter que fazer a escolha de Sofia: ou vai ser a inflação ou aumento da carga tributária”, explicou.

A economista informou que o Brasil dispõe de uma regra constitucional que não permite a emissão de dívida pública para pagar gastos correntes (como previdência, saúde e educação, etc.). Então, resta o aumento da carga tributária. Contudo, ela ressaltou que a sociedade não aceita mais isso e citou como exemplo dessa contestação as manifestações ocorridas no auge da crise. “Não tem conversa populista ano que vem”, disse, referindo-se às eleições. “Acabou o dinheiro. Acho que a classe política faz o ajuste. A questão é discutir quem terá o maior time para isso. Mesmo que ganhe um outsider, se ele tiver time político e bom articulador, a vida segue. Mas as reformas precisam ser feitas”, enfatizou. A economista disse ainda que essa regra constitucional é de ouro, pois esta geração não pode deixar a fatura para a próxima.

Ela também chamou a atenção para a perda do bônus demográfico, que acaba em 2022, o que gera mais um impacto na previdência. “Em 2030 teremos encolhimento da população em idade ativa. Se são menos pessoas para segurar o piano, cada uma delas terá que ser mais produtiva. Temos que correr e cuidar também da educação. Quando falamos em recuperar produtividade, estamos falando do capital humano também”, concluiu Zeina.


leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: