Nova gestão vai acelerar mudanças na Gerdau

Opinião é de André Gerdau Johannpeter, CEO que será substituído por Gustavo Werneck em janeiro de 2018

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Gustavo Werneck, que assumirá Gerdau em 2018, e o atual CEO André Gerdau Johannpeter

Ao participar pela última vez do anúncio do resultado trimestral, o CEO André Gerdau Johannpeter (na foto, à direita) deixou claro que ainda há providências importantes a serem tomadas nos próximos meses. Entre elas, a continuidade da venda de ativos considerados de baixo retorno, e a redução das despesas. “Por vezes, surgem negócios não planejados, ou mesmo algo que acaba não se concretizando. É um cenário muito dinâmico. Porém, não temos nada a anunciar no momento”, declarou André, que está há 11 anos no cargo.  A Gerdau iniciou o seu programa de desinvestimentos em 2014 e, até o momento, o valor das transações totalizam R$ 3,2 bilhões (veja outros indicadores de desempenho na tabela ao final desta reportagem). Esse valor considera a venda da operação do Chile, realizada em outubro deste ano, por R$ 480 milhões. De acordo com fontes do mercado, a companhia estaria negociando a venda de unidades fabris no México e no Peru. A companhia nega a informação.

Em janeiro de 2018, Gustavo Werneck (na foto, à esquerda), atual diretor executivo da Operação Brasil, assumirá o cargo de diretor-presidente. De acordo com André, o novo CEO dará um ritmo mais veloz às mudanças na empresa. “Em mais uma etapa da evolução de nossa governança, teremos uma nova liderança executiva que seguirá focada em aumentar a rentabilidade do negócio, continuar os esforços de gestão, otimizar ativos, modernizar nossa cultura e investir em inovação digital”, anunciou. Com a alteração na cadeira mais importante do grupo, a família Gerdau cuidará de assuntos estratégicos no conselho de administração. 

Werneck deve encontrar um cenário mundial em ritmo de recuperação. Na América do Norte, evolução do consumo de aço está sendo influenciada pelo aumento da demanda da construção civil e da indústria, embora a região siga impactada pela forte pressão dos importados. No Brasil, a construção civil, importante setor consumidor de aço longos, segue com baixa demanda  enquanto a competitividade das exportações é crucial para sustentabilidade do setor no país. No segmento de aços especiais, o destaque é o bom desempenho do mercado automotivo no Brasil, Índia e Estados Unidos, além da retomada do mercado de óleo e gás na América do Norte.

André também comentou o recente anúncio da transferência, para São Paulo, de parte das áreas corporativas da companhia, onde já está sediada a Operação Brasil. Para AMANHÃ, fontes ligadas à empresa informaram que está prevista a manutenção da sede histórica da Metalúrgica Gerdau na Avenida Farrapos, em Porto Alegre – mesmo porque o conglomerado decidiu que o Conselho de Administração continuará na capital gaúcha. Assim, o balanço da holding deve continuar a ser publicado no Rio Grande do Sul. “Não estamos deixando o Rio Grande do Sul, pois continuaremos com duas usinas aqui, além de manter as reuniões do Conselho de Administração no escritório de Porto Alegre. Estamos levando a sede para São Paulo para ficarmos próximos de um importante centro de negócios do país”, destacou o líder  da maior empresa da região, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado por AMANHÃ em parceria com a PwC. “Ainda temos muito espaço para reduzir despesas. A transformação digital tem ajudado a dar grande eficiência aos processos, mas ainda temos coisas a fazer”, relatou. Somente entre julho e setembro, a Gerdau reduziu em 18% suas despesas. No que depender das aspirações de André, há ainda mais espaço para elevar esse índice. 

Informações selecionadas

3º Tri 17

3º Tri 16

Var. 
(em %)

2º Tri 17

Var. 
(em %)

Vendas (Mil Toneladas)

3.865

3.668

5,4

3.707

4,3%

Receita Líquida  (R$ Milhões)

9.476

8.699

8,9

9.166

3,4

Margem Ebitda ajustada  (%)

12,3

13,8

-

12,2

-

Lucro Líquido (R$ Milhões)

145

95

52,6

75

93,3


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