Novas tecnologias: tudo passa por pessoas e negócios

Recursos humanos serão cada vez mais imprescindíveis para as empresas, revela o consultor Ademir Piccoli neste artigo

Por Ademir Piccoli*

Recursos humanos serão cada vez mais imprescindíveis para as empresas, revela o consultor Ademir Piccoli neste artigo

Transformar-se digitalmente vai além da transição do mundo físico para o virtual. É uma mudança de mindset que deve começar preparando as pessoas. O Gartner, durante o Symposium que teve lugar em São Paulo, destaca que as organizações que não conseguirem realizar a mudança internamente, não conseguirão promovê-la externamente.  Nesse sentido, o analista do Gartner Cassio Dreyfuss afirmou que “é necessário transformação das pessoas e da TI caso contrário o projeto de transformação digital não chegará a lugar nenhum”. 

O tema já faz parte da pauta dos CEOs, que estão convencidos da importância de desencadear um processo de transformação digital, porém quase metade deles afirma não ter ideia de como iniciar. A liderança desse processo passa pela área de negócios, mas o CIO é o maestro, por isso os CEOs estão cada vez mais abertos para propostas que venham da área TI. Implementar um projeto desta natureza requer, acima de tudo, uma predisposição para assumir riscos. Sendo assim, é importante uma valorização das lideranças e cultura da organização, pois somente desse modo será possível estabelecer prioridades, pontos críticos e ter clareza de onde quer chegar e porquê.

Previsões do Gartner 
Além das principais previsões de tecnologia, este ano o Gartner também deu foco no futuro dos talentos. A relação entre pessoas e máquinas está mudando para sempre e nossas expectativas de como o mundo irá evoluir também está mudando.

Em 2018, os CIOs serão mais responsáveis do que nunca pela geração de receita, criação de valor e desenvolvimento e também pelo lançamento de novos modelos de negócios usando tecnologias comprovadas e emergentes. 

Até 2020, 30% dos gestores incluirão Inteligência Artificial (IA) nas prioridades de investimentos e 30% dos novos desenvolvimentos incluirão IA como componente de entrega, junto com um time de cientistas de dados e desenvolvedores.

Em 2020, 25% das análises de dados serão por IA. Dados são o cerne para os negócios no futuro, porém o desafio está em transformar as informações em algo útil e IA tem potencial para ajudar a resolver o problema. 

Nesse período antes de 2020, também a IoT estará em 95% dos eletrônicos para novos projetos de produtos. A IA se tornará um motivador de empregos, criando cerca de 2,3 milhões de postos de trabalho, porém, eliminando outros 1,8 milhão. 

Em cinco anos a Internet das Coisas possibilitará o consumidor e os negócios economizarem US$ 1 trilhão por ano em manutenções e consumíveis. Isso mostra que a interrupção da tecnologia está fornecendo oportunidades de crescimento exponencial. As plataformas de IOT vão adicionar tecnologia em tudo. 

As apresentações ocorridas no Symposium também mostraram o quanto a tecnologia será acelerada nos próximos anos e ganhará mais relevância nos negócios. Por exemplo, até 2021, as empresas que redesenharem seus sites para suportar pesquisas visuais e de voz aumentarão a receita de comércio digital em 30%. O Gartner acredita que em menos de dois anos pelo menos metade de todas as buscas feitas por mobile serão por voz ou por visuais (por câmeras). Esses modelos com interação de voz vão aumentar e pelo menos dois dispositivos estarão na cozinha.

Também até 2020, mais da metade das empresas estarão gastando mais em bots e chatbots – automação de algum modelo de canal de relacionamento – do que os desenvolvimentos tradicionais de aplicativos para dispositivos móveis. Até lá, 40% da equipe de TI será versátil, ocupando vários papéis, multidisciplinares, a maioria dos quais será de negócios, e não de tecnologia. 

Os chamados Versatilistas são os profissionais que dominam várias competências. Eles vão coexistir com os especialistas, mas devem aumentar em volume nas organizações que terá que buscar esses profissionais nas suas bases. Até 2020, a manipulação das massas ocorrerá através da criação de "realidade falsa", baseada em IA, ou conteúdo falso, superará a capacidade da AI de detectá-la, fomentando a desconfiança digital. 

Até 2022, o Gartner prevê que a maioria das pessoas em economias maduras consumirá mais informações falsas do que informações verdadeiras. Consumir notícias falsas já é uma realidade hoje e precisaremos de uma estratégia jurídica para avaliar os fatos e conferir as fontes, bem como avaliar o grau de confiabilidade das informações que acessamos. 

Por fim, o analista vice-presidente do Gartner, Alvaro Mello, recomenda que procuremos materializar duas ou três escolhas que consideramos importantes nos últimos dois ou três anos. Sobre as previsões é importante refletir sobre o que faz sentido antes de escolher uma ou duas delas para priorizar na sua empresa.  Ele recomenda entender qual é a ambição da sua organização, ouvir a companhia e ver o que faz sentido, usando a técnica do bimodal, por exemplo, para escolher que parte da organização deve ser implementado com mais velocidade.

Devemos considerar que a questão mais importante quando falamos em experimentar é organizar isso de forma que consigamos envolver a área de negócios. E escolher junto com um líder uma das previsões que mais tem conexão com os produtos e serviços da organização é essencial.  Somando este ponto a um trabalho de engajamento das pessoas, a probabilidade de sucesso se torna gigante. 

*Consultor de tecnologia e inovação para empresas e setor público. Diretor da Ventiur Aceleradora de Startups. 


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