“Não teremos menos empregos, teremos empregos diferentes”

Previsão foi feita pelo presidente da IBM Brasil, Marcelo Porto, em palestra para empresários no Sul

Da Redação*

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Presidente da IBM Brasil, Marcelo Porto, em palestra para empresários na Federasul, em Porto Alegre

Cerca de 60% das pessoas que estão saindo atualmente das universidades trabalharão em uma profissão até então inexistente devido às novas cadeias de negócios geradas pela revolução digital. A tendência foi apresentada por Marcelo Porto (foto), presidente da IBM Brasil, em palestra no tradicional Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) nesta quarta-feira (18), em Porto Alegre. 

O executivo justificou a estimativa com exemplos de cadeias criadas a partir de tecnologias como os metalúrgicos e o setor automobilístico, youtubers e internet. “Novas tecnologias abrem leque para novos postos de trabalho que não existem hoje. As mesmas profissões não existirão. Logo, novas ocupações surgirão”, argumenta Porto. Segundo ele, em alguns segmentos ocorrerá o achatamento de negócios, já em outros a migração de cadeia de valor. Para o presidente da IBM Brasil, computação cognitiva, inteligência artificial e automação são oportunidades para as empresas gerarem novas cadeias de valor e não mecanismos para reduzir a quantidade de empregos. 

Na análise do CEO, além de não acarretar na redução de postos de trabalho, o uso da inteligência artificial possibilitará a criação de empregos de maior valor agregado. Isso porque as ferramentas tecnológicas são destinadas naturalmente para atividades repetitivas ou em tarefas que as possibilidades humanas não permitem cumprir, como a assimilação de extensos bancos de dados. Dessa forma, elas potencializam a capacidade produtiva e estratégica dos profissionais. “Se você trabalha em uma atividade que você sabe como fazer, ela é uma forte atividade a ser substituída por uma plataforma cognitiva. Se o que você emprega na sua atividade são os seus soft skills – criatividade, bom senso, perfil profissional – não terá uma plataforma para substituir”, avalia Porto. 

O fenômeno da inteligência aumentada pode ser aplicado para ampliar a capacidade produtiva em todas as profissões desde advogados a médicos. Dessa forma, todos os setores da indústria e serviços são afetados pelas transformações de tecnologias que impõem modelos totalmente diferentes de negócios. Ao citar cases como Airbnb, Uber e Netflix, Porto ressalta que as cinco maiores companhias listadas na Bolsa de Valores são plataformas que eram inexistentes há uma década. Essas empresas são caracterizadas por três fatores: a virtualização da cadeia de negócios, ruptura da segmentação tradicional da indústria e a ancoragem em ecossistemas. Mudanças que, de acordo com a previsão de Porto, terão um aprofundamento na próxima década.

*Com reportagem de Isadora Duarte.

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