O cientista de dados substituirá o analista de inteligência?

Em um mundo com tamanha diversidade de fontes, precisamos de mais cabeças diferentes que ofereçam respostas

Por Fábio Rios

O cientista de dados substituirá o analista de inteligência?

Tenho acompanhado muita discussão sobre qual a relação entre o cientista de dados e o profissional de inteligência. O cientista de dados substituirá o analista de inteligência? Os analistas deverão programar? Será que estamos falando de um novo papel do analista de inteligência? Como estas competências se encontram e como se fortalecem entre si? Vivemos num mundo inundado por dados de todos os formatos e locais. A Internet iniciou um movimento inexorável que vem aumentando em proporções exponenciais o volume de informações.

Soma-se a isso o fato de que as tecnologias de processamento e extração estão cada vez mais baratas, fazendo com que as próprias empresas estejam gerando dados e informações em alta frequência. Além disso, elas também estão ainda mais conectadas ao ambiente digital, interagindo e deixando rastros de informações a cada etapa de suas atividades.

O resultado disso tudo é um cenário no qual o analista de inteligência vai encontrar informação relevante em locais onde só tecnologias conseguem extrair. O problema é que não só a variedade de fontes aumentou, mas principalmente a velocidade e o volume de informações. Aliás, estão aí os famosos 3Vs que justificaram o nascimento do conceito de Big Data! 

Porém, a questão não é apenas extrair, mas separar o joio do trigo. É necessário refinar e selecionar somente as informações que poderão confirmar hipóteses, antecipar tendências, detectar sinais fracos, entre outros elementos que subsidiam análises e decisões de acordo com a necessidade e timing do negócio.

Desta forma, o analista de inteligência precisa, sim, ter conhecimento em ciência de dados, ou seja, deve ter intimidade com estatística, computação e o próprio negócio. Claro que não há dúvida de que conhecer o negócio faz parte da formação de qualquer analista de inteligência. O mais difícil são as competências e habilidades relacionadas à estatística e à computação. Entretanto, a boa notícia é que nenhum analista de inteligência precisa saber com profundidade as duas competências e habilidades citadas acima. Por outro lado, é fundamental saber o que existe! “Inteligência Competitiva foi além de inteligência humana e coleta de dados primária a partir de agora”, recordou Nanette Burger, presidente mundial da Strategy for Competitive Intelligence Professionals (SCIP), maior entidade de fomento de Inteligência do mundo. 

No lado de estatística, é preciso conhecer as principais técnicas, para que servem e como podem ser aplicadas. Em ciência da computação, a mesma coisa. Se torna essencial saber minimamente sobre o funcionamento de um banco de dados, linguagem de programação básica, plataformas de clusterização e indexação, softwares de analytics, visualização e ferramentas aceleradoras.

Contudo, nada disso para colocar a mão na massa, mas sim para poder pensar soluções e desafiar outros profissionais com estas competências na equipe ou fora dela (área de TI da empresa, consultor agência, entre outras entidades e pessoas que deverão aportar com profundidade tais competências e habilidades).

Aliás, há muito novo cientista de dados migrando da área de TI. Nada contra, mas entendo que o movimento mais coerente é o profissional de inteligência buscar os conhecimentos de estatística e computação, para então impulsionar o que é da nossa origem: identificar as necessidades da organização, mapear os problemas de negócio dos decisores, definir procedimentos de coleta e métodos de análise, disseminando isso tudo para realmente subsidiar a tomada de decisão.

Lembrando que tudo isso com muita humanidade, com capacidade de extrair informações de pessoas importantes para a organização, separar fontes confiáveis de não confiáveis, saber quando começar e quando parar uma análise, entre outras ações que um profissional de inteligência engajado com a metodologia e o ciclo de Inteligência Competitiva domina, imprimindo a diferença num time que precisa envolver conhecimento em negócio, mas, em função da nova realidade, também estatística e computação.

Em um mundo com tamanha diversidade de fontes, precisamos de mais cabeças diferentes que ofereçam respostas que as empresas precisam tanto. O mundo mudou! Todos nós, profissionais de inteligência, precisamos nos adaptar e seguir em frente também.

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comentarios




Cicero Jacobi Filho

Olá, Fábio. Minha experiência de campo diz que a cada dia se torna mais escasso e chega a ser um luxo quando temos um analista de negócios (Inteligência) disponível para colaborar em um projeto. Discordo totalmente do rumo que a tecnologia empacotada está dando aos cérebros cada vez mais dispersos que chegam ao mercado e à total falta de foco em formar profissionais úteis para o negócio. O foco é o negócio! Conhecer a tecnologia e ter intimidade com os dados é uma atribuição que deve ser aprofundada em suas competências. De que me serve um analista que entende ou conhece os dados e os sistemas, ou ainda origens diversas, se não tem o entendimento e a profundidade necessária de conhecimento do core business para ter a visão correta e os insights necessários? O que vejo no horizonte é mais uma era de atrasos no desenvolvimento de negócios e a criação de incontáveis distrações e rumos sem pé nem cabeça que a médio e longo prazo vão impactar no negócio. O que todos da área de TI esquecem é que o que realmente importa é o negócio! Somos meras ferramentas para auxiliar, ajudar, inovar, otimizar o business. O que vejo são marqueteiros colocando roupa nova em conceitos muito velhos e chamando de inovação! Futurista, cientista de dados, cloud, e por aí vai. Porém, pelo menos no campo da Inteligência Artificial ainda não inventaram nada, mas logo deve surgir algo que junte a palavra “neural” pra virar moda.

Frederico Cesar Mafra Pereira

Muito bom, Fábio. Parabéns pela abordagem!

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