Rio Grande do Sul brilha nas Bodas de Prata da ANV

Ao completar 25 anos, Avaliação Nacional de Vinhos destaca qualidade da bebida produzida no Sul

Por Marcos Graciani, de Bento Gonçalves (RS)

graciani@amanha.com.br

Rio Grande do Sul brilha nas bodas de prata da ANV

O ritual se repete há 25 anos e a cada safra a expectativa é sempre grande. Não foi diferente neste ano quando a maior degustação de vinhos de uma safra do mundo alcançou suas Bodas de Prata. Cerca de mil pessoas de todo o Brasil e do exterior degustaram na taça as 16 amostras mais representativas de vinhos brasileiros da Safra 2017, no momento mais aguardado pelo setor vitivinícola.

O evento, uma iniciativa da Associação Brasileira de Enologia (ABE), é reconhecido por sua proximidade com a cadeia produtiva da uva e do vinho, de modo que contribui para que a produção do vinho brasileiro evolua em qualidade, tecnologia e reconhecimento. Portanto, um dos legados da Avaliação é nortear produtores e enólogos na escolha de variedades de uvas, técnicas de elaboração e lançamento de produtos. “O que o público degustou na taça é a antecipação do que estará no mercado a partir do próximo ano”, salienta o enólogo Edegar Scortegagna, presidente da ABE. Com 327 amostras inscritas por 59 vinícolas de seis estados brasileiros (Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), esta é a maior Avaliação dos últimos quatro anos.

O ranking dos 30% mais representativos, ou seja, 103 vinhos, foi anunciado ao final do evento como resultado da degustação de seleção realizada durante o mês de agosto por 118 enólogos, que às cegas, seguiram normas internacionais sob a coordenação da Embrapa Uva e Vinho. Dentre este seleto grupo, 16 vinhos foram selecionados entre os mais representativos para serem degustados pelo grande público na maior celebração dos vinhos do Brasil. Coube ao presidente da ABE, enólogo Edegar Scortegagna, revelar quais foram os 16 vinhos degustados.

Desta vez, apenas vinícolas gaúchas tiveram destaque. Entre as que mais brilharam está a amostra 16 (Tannat, da Don Guerino, de Alto Feliz) que somou a média 9,0 entre os enólogos que a escolheram como uma das mais representativas desta safra (veja a listagem completa ao final deste post). Ao comentar a amostra, Mauro Celso Zanus, chefe geral da Embrapa Uva e Vinho, sublinhou que o vinho produzido pela Don Guerino será um daqueles que poderá ser guardado por alguns anos, pois tenderá a melhorar com o tempo. “Ele é um exemplo da soma de três escolhas felizes: a variedade da uva, a tecnologia empregada e a condução da fermentação. Com o tempo, esse exemplar ganhará complexidade”, argumentou.

Outra estrela que brilhou, na opinião de Cepas & Cifras, foi a amostra 10 (variedade Petit Syrah, produzida pela Luiz Argenta, de Flores da Cunha). Coube ao professor da Eno Cultura, que representa no Brasil a WSET, renomada escola europeia de ensino voltado ao vinho, descrever a bebida. “Poucos lugares no mundo ainda produzem esta casta – a exemplo de México, Israel ou mesmo Austrália. Este vinho tem muita boa qualidade e tem bom potencial. Esta casta poderá se desenvolver muito bem no Brasil”, estimou.

Entre os brancos, os três vinhos base para espumantes estavam muito bons. A amostra 3 (Chardonnay, produzido pela Domno do Brasil), no entender de Cepas & Cifras, deve se destacar quando for lançado no mercado dentro de alguns meses. Ainda entre os brancos (variedade que os brasileiros deveriam apreciar cada dia mais), o blog alerta o leitor para que atente para as amostras 7 (Sauvignon Blanc, feito pela Vinícola Fazenda Santa Rita, de Vacaria) e 8 (Moscato Giallo, da Cooperativa Vinícola São João, de Farroupilha). Como se vê, a safra deste ano, novamente, trouxe belos exemplares de vinhos brancos. Porém, infelizmente, o mesmo não se pode dizer dos tintos onde se aguardava maiores destaques.

Troféu Vitis 2017
Desde 1993, a ABE homenageia figuras que dedicam seu tempo, conhecimento e talento para a promoção e valorização do vinho brasileiro. Neste ano, a entidade entregou o Troféu Vitis Amigo do Vinho 2017 para a sommelier internacional e jornalista Andréia Debon, editora da Revista Bon Vivant, especializada no mundo do vinho. Ela também participa como jurada em degustações e concursos de vinhos no Brasil e no exterior, viajando para países produtores e com potencial enoturístico. E o Troféu Vitis Destaque Enológico 2017 foi entregue à enóloga Maria Regina Ferreto Flores, hoje diretora técnica da LNF Latino Americana. Maria Regina foi professora na então Escola Agrotécnica Federal e enóloga-chefe da Cooperativa Vinícola Aurora de 1984 a 1995.

 
AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS DA SAFRA 2017

Categoria Vinho Base para Espumante
Chardonnay/Riesling Itálico – Chandon (Garibaldi – RS) 
Chardonnay – Casa Valduga (Bento Gonçalves – RS) 
Chardonnay – Domno do Brasil (Garibaldi – RS) 

Categoria Branco Fino Seco Não Aromático
Riesling Itálico – Cooperativa Vinícola Aurora (Bento Gonçalves – RS) 
Chardonnay – Vinícola Almadén (Santana do Livramento – RS) 
Chardonnay – Vinícola Cave de Pedra (Bento Gonçalves – RS)

Categoria Branco Fino Seco Aromático
Sauvignon Blanc – Vinícola Fazenda Santa Rita (Vacaria – RS) 
Moscato Giallo – Cooperativa Vinícola São João (Farroupilha – RS) 

Categoria Tinto Fino Seco Jovem
Cabernet Franc – Vinícola Salton (Bento Gonçalves – RS) 

Categoria Tinto Fino Seco
Petit Syrah – Luiz Argenta Vinhos Finos (Flores da Cunha – RS) 
Merlot – Casa Perini (Farroupilha – RS) 
Merlot – Miolo Wine Group (Bento Gonçalves – RS) 
Cabernet Franc – Giacomin Ind. de Bebidas/Vinhos Hortência (Flores da Cunha – RS) 
Malbec – Vinícola Almaúnica (Bento Gonçalves – RS) 
Cabernet Sauvignon – Guatambu Estância do Vinho (Dom Pedrito – RS) 
Tannat – Don Guerino Vinhos e Espumantes (Alto Feliz – RS) 


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