Qual será o futuro das estatais na Bolsa?

Redução nos riscos do país tem ajudado empresas como o BB

Por Infomoney

Qual será o futuro das estatais na Bolsa?

O Ibovespa subiu cerca de 14% no ano. A despeito do cenário econômico negativo, o índice foi impulsionado principalmente pelas ações de estatais, o que levou o desconto dos papéis das empresas controladas pelo governo em relação às não-estatais para o menor nível desde 2009. Mas quais são os motivos que levaram a esse movimento e o que esperar mais à frente? Dentre as dez ações que compõem o MSCI Brazil que puxaram a alta recente do mercado, estão quatro estatais como Petrobras (PETR3;PETR4), Eletrobras (ELET3;ELET6), Cemig (CMIG4) e Banco do Brasil (BBAS3). "A nosso ver, esse movimento nas ações das estatais foi sustentado por uma redução relevante nos riscos significativos do Brasil, pois nesse cenário, as ações mais alavancadas tendem naturalmente a ter desempenho superior", ressaltam os estrategistas André Carvalho e Marina Valle.  Mas quais foram os principais drivers para esse movimento?

"Salientamos no início de abril que o país estava saindo do olho do furacão e sete grandes riscos estão diminuindo ao mesmo tempo. (1) racionamento de energia elétrica; (2) ambiente político; (3) Petrobras; (4) desvalorização do Real; (5) ceticismo sobre o ajuste da política macroeconômica; (6) surpresas negativas com a inflação; e (7) ciclo de aperto monetário", ressaltam Carvalho e Marina. E, para as estatais em específico, há três razões para haver um melhor desempenho.

Demonstrações financeiras da Petrobras
A Petrobras divulgou em 22 de abril suas demonstrações financeiras auditadas do final do ano passado, dando um passo importante para recuperar a credibilidade dos investidores e também eliminando as chances de antecipar o pagamento de US$ 57 bilhões aos portadores de títulos. "A Petrobras também tomou duas outras decisões positivas, a nosso ver: a baixa de ativos totalizando cerca de R$ 50 bilhões, incluindo R$ 6,2 bilhões de baixas relacionadas às investigações de corrupção e o cancelamento da distribuição de dividendos relativos ao ano passado", afirmam.

Ajustes na política econômica
O HSBC ressalta que a equipe econômica da presidente Dilma Roussef vem trabalhando em diversas frentes do ajuste na política, tais como: fiscal, monetário e aperto do crédito ao mesmo tempo; eliminando os desalinhamentos de preço relacionados ao câmbio e à energia;  estimulando às empresas estatais a levantar ou poupar recursos e depender menos dos repasses do Tesouro. "Em nossa opinião, esse incentivo acarretou a decisão de realizar o IPO do segmento de Seguros da Caixa Econômica Federal (talvez no segundo semestre deste ano), vender os ativos de distribuição da Eletrobras e não distribuir dividendos da Petrobras relativos a 2014, apenas para citar alguns", enumeram.  

Menos ruído político
Embora haja referência ao risco de impeachment da presidente Dilma, esse tema parece ter recuado recentemente, enquanto, o relacionamento da administração com o Congresso melhorou, especialmente depois da decisão de Dilma de indicar Michel Temer como coordenador político e seu apoio aos Ministros Levy e Barbosa para se aproximar e negociar com os Parlamentares. "Por que acreditamos que o risco de impeachment e de stress com o Congresso provavelmente estava pesando mais sobre as estatais do que sobre as não estatais? Bem, não apenas porque as estatais têm alavancagem maiores, mas também porque elas são mais sensíveis a perturbações políticas por serem diretamente relacionadas ao governo, especialmente as estatais federais".

Os ventos do exterior também ajudaram...
Em um ambiente de abrandamento dos riscos locais, os ventos globais favoráveis impulsionaram as ações brasileiras e o momento positivo das estatais por dois motivos. Um deles é a entrada de fluxo de capital no Brasil. Os dados revelam que os fundos mútuos estão aumentando as posições no país depois de quatro anos de contínuas reduções. A alta nos preços de commodities é outro importante motivo. Desde abril, os preços das principais commodities tiveram uma alta acentuada. O valor do óleo bruto Brent aumentou 17% e o do minério de ferro subiu 32%. Dentro das estatais e não estatais, a Petrobras provavelmente foi a ação mais beneficiada por esse movimento.

Perspectivas para as estatais: e agora?
Segundo os estrategistas do HSBC, as estatais não parecem ser uma aposta de valor de uma perspectiva bottom-up (do microeconômico para o macroeconômico, ou seja, analisa primeiro a empresa e depois a economia como um todo). Além disso, os analistas do banco têm classificação de compra apenas para duas estatais: Banco do Brasil e Banrisul (BRSR6). "Apesar de ser mais alavancadas, as estatais não podem criar valor para os acionistas por meio da redução da alavancagem nos próximos anos", afirmam Valle e Carvalho.

"No caso da Petrobras, por exemplo, o analista do setor de petróleo e gás do HSBC, Luiz Carvalho, não espera uma fórmula de preços e/ou que a Petrobras venda bilhões de barris de reservas e pague a dívida com os recursos. Os preços de commodities não devem mais constituir um vento favorável significativo para as estatais", afiram. Os estrategistas destacam ainda que, embora as estatais não pareçam especialmente atrativas de uma perspectiva bottom-up, o momento positivo para o segmento pode persistir, impulsionado pela perspectiva top-down (analisando primeiro a economia depois a empresa) positiva.  De acordo com o estrategista global de ações do HSBC Ben Laidler, um cenário global favorável pode sustentar múltiplos altos em muitos mercados de ações no curto prazo.

Dessa forma, uma correção relevante nas estatais brasileiras pode levar mais tempo do que a análise de fundamentos pode sugerir. Além disso, caso os investidores estejam antecipando a recuperação esperada nos lucros, o momento das estatais pode durar mais tempo, com base em dois fatores principais: (1) a experiência anterior sugere alta possibilidade de uma alta no mercado ao nos aproximarmos da recuperação do PIB; e (2) as estatais são altamente alavancadas e podem ser beneficiadas por uma recuperação mais breve e mais rápida dos lucros, em meio a um melhor ambiente para o ajuste da política macroeconômica. Assim, como há um bom momento para as estatais, mas a avaliação sobre elas não é boa, os estrategistas não recomendam a exposição nesses papéis.



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