Ale e Ipiranga propõem ao Cade venda de postos

O julgamento está marcado para a próxima quarta-feira

Da Redação

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Ale e Ipiranga propõem ao Cade venda de postos

As empresas de distribuição de combustíveis Ipiranga e a Ale esperam convencer o plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a permitir sua união com a venda de postos e unidades de infraestrutura conhecidas como bases de tancagem. Além disso, as restrições para as operações envolveriam também remédios comportamentais, como são chamadas as medidas que não envolvem a venda de ativos. Essas bases de tancagem são essenciais no setor de distribuição de combustível. O produto chega através de dutos em uma base conhecida como primária. A partir daí, elas seguem para outro entreposto, chamado de secundário, por rodovia, hidrovia ou dutos. A informação foi veiculada nesta segunda-feira (31) pelo jornal Valor Econômico. O julgamento está marcado para a próxima quarta-feira (2) . Na sessão, o relator João Paulo Rezende deverá apresentar a operação para, em seguida, o plenário tomar uma decisão. O caso tem atraído muita atenção. 

“A Superintendência Geral (SG) do Cade fez um parecer duro sobre o negócio. De acordo com o texto, a compra da Ale pela Ipiranga era particularmente grave para o setor, eliminando a quarta marca do mercado, a única dentre as grandes com perfil de embandeiramento diferenciado e menos propício a cartelização. Para a SG, o negócio é preocupante”, revela a reportagem. "Se ela for aprovada, a Ipiranga, a Raízen e a BR Distribuidora [três principais empresas do setor] estarão em zona confortável para induzir ou impor a coordenação sobre centenas de mercados relevantes de revenda espalhados por todo o país, em grandes e pequenas cidades", diz o parecer da SG. 

“O advogado Artur Villamil, que representa a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), classificada como terceira interessada no caso, apontou que os remédios comportamentais precisam incluir a saída dos postos bandeirados da Ale, um controle comportamental de diferenciação de preços e algum dispositivo que evite a imposição do modelo de postos completos da Ipiranga, que incluem, por exemplo, lojas de conveniência obrigatórias”, mostra a matéria. “O advogado Mario André Cabral, que representa outra terceira interessada, a refinaria de Manguinhos, pontuou que a Ale é um fator que garante mais rivalidade no mercado e a saída dela vai fazer com que o mercado perca significativamente em competitividade”, relata a publicação. "É verdade que a Alesat tem atuação mais robusta no Norte e Nordeste, mas ela está presente nos outros estados. Ela é a única regional que conseguiu incomodar as grandes. Das pequenas, foi a única que conseguiu se destacar para chegar perto das grandes", declarou Cabral ao Valor Econômico. 


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