Copom reduz a Selic para 9,25% ao ano

Juro chega ao menor nível desde outubro de 2013

Da Redação, com Agência Brasil

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Copom reduz a taxa Selic para 9,25% ao ano

Pela sétima vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira (26) a taxa Selic em 1 ponto percentual, de 10,25% ao ano para 9,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros. Com a redução de hoje, a Selic chega ao menor nível desde outubro de 2013, quando estava em 9% ao ano. Essa é a primeira vez em que os juros básicos da economia retornam a um dígito em quase quatro anos. Desde novembro de 2013, quando o Copom elevou a taxa para 10% ao ano, a taxa estava em dois dígitos.

O comitê entendeu que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária. “O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom permanece compatível com estabilização da economia brasileira no curto prazo e recuperação gradual. O recente aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia impactou negativamente índices de confiança dos agentes econômicos. No entanto, a informação disponível sugere que o impacto dessa queda de confiança na atividade tem sido, até o momento, limitado”, relata o documento que assinalou a nova queda da Selic. 

“O cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global tem se recuperado gradualmente, sem pressionar as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes. Além disso, houve arrefecimento de possíveis mudanças de política econômica em alguns países centrais. O comportamento da inflação permanece favorável com desinflação difundida, inclusive nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Até o momento, os efeitos de curto prazo do aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia não se mostram inflacionários nem desinflacionários”, revela a nota. 

“O Comitê entende que a evolução do processo de reformas e ajustes necessários na economia (principalmente das fiscais e creditícias) é importante para a queda das estimativas da taxa de juros estrutural. Essas estimativas continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo. O Copom ressalta que a manutenção das condições econômicas, até este momento, a despeito do aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia, permitiu a manutenção do ritmo de flexibilização nesta reunião”, explica o Copom. “Para a próxima reunião, a manutenção deste ritmo dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo. O ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, avalia o Comitê. 

Cautela
A decisão do Copom foi recebida com cautela pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). “Devido à extensão e a profundidade da recessão, o Copom poderia ter acelerado o ritmo de queda da taxa. Mas, mais uma vez, o descontrole das finanças públicas acaba sendo um obstáculo para uma redução maior. Saída via aumento de impostos não soluciona o problema, apenas agrava a crise da economia real”, avalia Gilberto Porcello Petry, presidente da entidade. Segundo ele, mesmo considerando a crise política e o cenário fiscal deteriorado, o balanço de riscos para inflação ainda se mostra favorável à trajetória de redução da taxa de juros. O industrial alerta, porém, que para os juros caírem de maneira sustentada com a inflação controlada, é fundamental que o governo efetue os ajustes fiscais realmente efetivos como, por exemplo, a reforma da previdência. 

Até o fechamento desta edição, a Fiep e a Fiesc não emitiram nota.


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