Commodities responderão por alta de 12,8% das exportações

O superávit comercial atingirá o recorde de US$ 63,3 bilhões

Por Agência Brasil

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Commodities responderão pelo aumento de 12,8% das exportações, prevê AEB

O comportamento das commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional), em especial petróleo e minério, responderá pelo aumento de 12,8% das exportações este ano, de acordo com a revisão da balança comercial para 2017, divulgada nesta terça-feira (18) pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Os dois produtos têm grande destaque nas exportações, segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro, tendo em vista o aumento significativo registrado tanto em quantidade como em preço médio para o petróleo, e em termos de preço para minérios. Castro observou que também a soja terá participação no crescimento das exportações, devido ao aumento da quantidade embarcada. “Esses são os três fatores básicos que ajudam a explicar esse aumento de 12,8% nas exportações”, declarou. Os dados revisados e projetados pela AEB indicam que as exportações alcançarão US$ 209 bilhões, enquanto as importações somarão US$ 145,7 bilhões, com expansão de 6%. O superávit comercial atingirá o recorde de US$ 63,3 bilhões, com alta de 32,6%.

Castro esclareceu que esse superávit recorde decorrerá não especificamente deste ano, mas de anos anteriores em que o país teve uma base de exportação e importação muito pequena.  “Isoladamente, [superávit] é um número muito bom, mas que não gera atividade econômica. Não tem nenhum impacto na economia brasileira, porque o que gera atividade econômica é corrente de comércio e não o superávit, que é feito de alguma coisa. Não é causa”, reconheceu Castro sobre o fato do impacto da alta das exportações acima das importações no Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). O superávit histórico da balança comercial, segundo a AEB, colocará o Brasil entre as cinco nações de maiores superávits do mundo, atrás da China, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia.

Ranking
O crescimento de 12,8% das exportações, superior ao incremento de 2% previsto para o comércio global em 2017, levará o Brasil a ganhar uma posição no ranking mundial de países exportadores, subindo da 25ª para a 24ª classificação. Castro lembrou que há três anos, o Brasil ocupava o 21º posto no ranking e está apenas recuperando um degrau perdido no passado. O presidente da AEB alertou para o fato de que o Brasil tem muito, ainda, a desenvolver. No que se refere às exportações de produtos básicos, que não dependem do país, mas do mercado externo, ele opinou que o Brasil está muito bem. Ressaltou, entretanto, que no que depende do país, que são as exportações de manufaturados, o país vai muito mal. Segundo ele, a projeção de aumento de 6,8% para os produtos manufaturados brasileiros este ano se deve, quase exclusivamente, à Argentina. Castro reiterou ainda que as exportações de manufaturados do Brasil de 2015, 2016 e parte deste ano serão menores do que foram em 2006. “Estamos dez anos parados no tempo”, lamentou. 

De acordo com relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil está fora das cadeias globais de valor, concentradas nos Estados Unidos e na União Europeia, porque as exportações brasileiras de manufaturados são todas direcionadas para a América do Sul. “O fato de o Brasil não integrar as cadeias globais de valor faz com que nós vivamos um isolamento comercial”, salientou. Para Castro, a tendência é piorar, pois no próximo ano haverá a reoneração tributária e previdenciária que entrará em vigor em janeiro, e isso, segundo ele, vai aumentar os custos de produção entre 4% e 6%, retirando a competitividade do produto brasileiro. Nos últimos cinco anos, as exportações sofreram quedas consecutivas e acumuladas em 27,7%.


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