Inteligência com sabedoria

Dados são fundamentais, mas nem sempre dispensam a interpretação humana

Por André D´Angelo

Dados são fundamentais, mas nem sempre dispensam a interpretação humana

Semana passada falei sobre as áreas de inteligência competitiva nas organizações, enfatizando a necessidade de haver sinceridade de propósito para que funcionem de fato e cumpram sua missão (leia aqui). No post de hoje, explico como e por quê. 

Quando um departamento de inteligência competitiva é criado, está-se sugerindo a todos os colaboradores que a intuição, se contrariada pelos números e pelas análises, não poderá prevalecer sobre eles na hora de tomar decisões - mesmo que a tal intuição advenha do CEO. Do ponto de vista da cultura de uma organização que queira implementar a inteligência competitiva, aliás, nada é tão positivo quanto opiniões e convicções pessoais, especialmente do alto escalão, deixarem-se mudar por dados e informações, como lembra Andrew McAfee, da MIT Sloan School of Management. 

E se um departamento de inteligência quer averiguar a quantas anda a sua contribuição concreta para as decisões tomadas pela companhia, basta monitorar quem, quando, quanto e em qual circunstância os diferentes departamentos acionam a área ou consultam seus produtos disponíveis online. Dessa forma, pode-se comparar as análises, recomendações e decisões de cada departamento não apenas com a fundamentação apresentada, como também com suas estatísticas de utilização dos recursos do setor de inteligência.

Porém, um alerta sempre é necessário: dados e informações nem sempre falam por si. É preciso fazer inferências. Categorizar, associar, extrapolar, interpretar – ou seja, aplicar background humano – é o que permite gerar conhecimento para a decisão. Essa margem de manobra deve estar prevista quando da institucionalização do setor de inteligência, pois é imprescindível. Afinal, o conhecimento, nas empresas, muitas vezes não é explícito, e nem por isso deixa de contribuir para a tomada de decisão.

Assim, se à semelhança do que ocorreu com Michel Temer, a área de inteligência vier pedir-lhe mais espaço na administração, considere concedê-lo – a não ser, claro, que sua prioridade, assim como a do presidente, seja cercar-se de advogados, e não exatamente de analistas.

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