A utilidade da reforma trabalhista

Patrões e empregados devem tentar transformar as novas regras em algo que seja útil à carreira de cada brasileiro

Por Bernt Entschev

Bernt Entschev fala da utilidade da reforma trabalhista

A reforma trabalhista entra em seus últimos capítulos nas próximas semanas. Muito se discutiu desde a primeira proposta apresentada até a redação final do texto. Fato é que trabalhar no Brasil será diferente de como estamos acostumados atualmente. As mudanças não serão sentidas do dia para noite, mas em um curto espaço de tempo. As novas diretrizes devem, inclusive, movimentar a rotina das empresas. Infelizmente, ainda não se pensou em sua totalidade na sociedade, no empregado ou na economia. A discussão ficou no âmbito político.

Esse jogo de empurra não permitiu um amplo debate e, mesmo com  décadas de atraso, a proposta a ser implantada ainda ficará devendo – tanto para empresários quanto para trabalhadores. E pior: arrisca ficar obsoleta já nos próximos anos, pois as comissões defenderam teses pensando na sociedade nos dias de hoje. A reforma deveria ir além disso. Ela precisaria levar em consideração os próximos 5, 10 ou 20 anos. Essa flexibilização é que está faltando, pois não sabemos ao certo o que acontecerá neste período. 

Ouvimos constantemente que o Brasil não funciona sem o corpo do funcionalismo público. Isso é verdade, mas em parte. Também é verdade que o país é atravancado por essa mesma estrutura. Porém, não se pode ignorar que o corpo laboral brasileiro é formado por funcionários da iniciativa pública e privada. 

Assim como os empresários carregam um pesado fardo de impostos no momento da contratação de pessoas, os municípios, Estados e o país também se encontram encurralados no momento de assinar a carteira de trabalho. Pior: a estabilidade quase que total adoece a prestação de serviços ao cidadão. Essa foi outra boa oportunidade que foi deixada de lado no extenso debate.

Contudo, teremos uma minirreforma trabalhista. Necessária? Sim. Atende o país e sua força laboral? Não. A sugestão é que trabalhadores e empresários busquem entender ao máximo o que muda. E a partir desse entendimento, tentem transformar o conhecimento das regras em algo que seja útil à carreira de cada brasileiro e aos negócios.

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