Política industrial terá de pensar período pós-ajuste

Outro desafio, diz a Finep, é o Brasil ter maior destaque em áreas como saúde

Por Agência Brasil

Política industrial terá de pensar período pós-ajuste

Apesar do ajuste fiscal, o Brasil será capaz de retomar e recompor a capacidade de apoio à inovação. A avaliação é do presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) Tecnologia, Luís Fernandes. “Essa continua sendo a linha mestra do esforço do desenvolvimento nacional”, destacou. Fernandes participou na terça-feira (12) do 27º Fórum Nacional, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

O presidente da Finep esclareceu que isso está vinculado à formulação da nova versão da política industrial para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Esse redesenho da política industrial terá de ser feito, segundo ele, não no contexto da subordinação dos ditames do ajuste, mas, sim, pensando no período pós-ajuste. “[Com o] o ajuste nos ajudando a sair dessa situação com políticas mais sólidas de incentivo de promoção da inovação nacional”, disse. Fernandes ressaltou que alguns desafios deverão ser incorporados nessa nova definição da política industrial, entre os quais dar continuidade ao esforço de inovação nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A meta anterior era chegar a 2014 com 1,5% do PIB em investimentos em inovação. “Chegou a 1,22%. A ideia é trazer de novo essa meta de 1,5% no período pós-ajuste. Seria importante.”

Outro desafio é posicionar o Brasil na fronteira do conhecimento em áreas-chave, para dar garantia à sustentação do esforço nacional, entre as quais aeronáutica, agricultura, saúde, energia, segurança, defesa, programa nuclear, tecnologia da informação e comunicação. É preciso ainda, acrescentou Fernandes, fortalecer a estrutura de pesquisa nas universidades para melhorar o ambiente de inovação e, em particular, fomentar a relação entre empresas e institutos de tecnologia, além de ampliar e fortalecer empresas nascentes de base tecnológica que possam situar bem o país, “a partir do fomento ao empreendedorismo nacional, nos desafios desse novo ciclo de inovação”.

Para o presidente da Finep, há o reconhecimento de que no século 21 a ciência e tecnologia estão no centro dos processos de agregação de valor e de promoção do desenvolvimento. Fernandes analisou, entretanto, que essa não é uma discussão nova nem uma formulação nova do ponto de vista de política do governo. Desde 2004, segundo ele, o Brasil está implementando políticas de desenvolvimento ancoradas em políticas industriais que procuram trazer a inovação para o centro do esforço do desenvolvimento nacional. A análise desse período de 11 anos, de acordo com Fernandes, mostra que o patamar de investimentos nacionais em P&D passou de 1% do produto interno bruto (PIB), em 2005, para pouco mais de 1,2%, em 2012, que é o último dado consolidado disponível. “É uma evolução positiva, mas aquém das necessidades de promoção do desenvolvimento por meio da inovação”, disse. Para o presidente da Finep, decompondo-se esse indicador, verifica-se que os investimentos governamentais em pesquisa e desenvolvimento subiram no período pesquisado de 0,51% do PIB para 0,68%, enquanto os investimentos empresariais evoluíram de 0,48% para 0,53%. “Ou seja, o grosso desse crescimento se deu em função da expansão dos investimentos governamentais. Ainda temos muito a avançar em investimentos empresariais nacionais em inovação”.

No comparativo internacional, ele avaliou que o descompasso do Brasil em relação aos países que estão na fronteira da promoção da inovação não é muito grande. Segundo Fernandes, o patamar de 0,68% dos investimentos governamentais do Brasil em pesquisa e desenvolvimento é maior que na Espanha, no Reino Unido, na China ou no Japão. Mas, analisando a situação dos investimentos empresariais, “o descompasso do Brasil é gigantesco”. A Coreia do Sul, por exemplo, investe hoje em pesquisa e desenvolvimento 4,5% do PIB, dos quais 3,3% são investimentos empresariais; no Japão, os investimentos globais em inovação alcançam cerca de 3% do PIB, devido aos investimentos das empresas, destacou. Segundo Fernandes, aí está o grande desafio brasileiro: criar um sistema de promoção da inovação por meio do qual os investimentos governamentais tenham maior eficácia e eficiência na promoção dos investimentos empresariais em pesquisa e desenvolvimento, no contexto do desenvolvimento nacional.



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