O médico na era da inteligência artificial

Para Stephen Stefani, o supercomputador Watson não substitui o médico. Ao contrário, torna-o ainda mais essencial

Por Stephen Stefani*

Para Stephen Stefani, o supercomputador Watson não substitui o médico. Ao contrário, torna-o ainda mais essencial – e preparado

Médicos devem ser bons ouvintes, com capacidade prática de fazer a pergunta certa e de traduzir, de forma empática, sinais e sintomas em diagnósticos e manejos assertivos que possam trazer benefício ao paciente. Pode parecer uma receita simples, mas é uma tarefa de uma complexidade contínua e de crescimento exponencial. A quantidade impressionante de informação e a velocidade em que se dão passos de todos os tamanhos e para todas as direções tiveram efeitos colaterais. Um deles é a superespecialização do profissional, na tentativa de dominar, pelo menos, algum ponto específico de atuação. Não é infrequente, dentro de uma especialidade, já termos dezenas de subespecialidades que levam o paciente a uma peregrinação de médicos que pode ser improdutiva e, sem dúvida, aumentar a impessoalidade.

Outro problema inevitável é a incapacidade humana de acompanhar os desafios de aquisição de informação técnica em escala suficiente. Estimativas sugerem que um médico deveria estudar 29 horas por dia para poder tomar conhecimento de todos os dados que são publicados em sua área, necessidade particularmente útil em cenários graves ou raros. Evidente que esse número é inatingível e, mesmo que fosse menor, seria inviabilizado pela falta de estrutura organizada dos dados disponíveis, ou seja, o conhecimento médico cresce de forma aleatória e não necessariamente na mesma direção. É uma espécie de conjunto de teias e novelos aglomerados para serem utilizados de forma racional.

Não bastasse esse cenário explosivo, nem toda informação médica é sustentada em qualidade confiável. A agenda científica que se acumula no ambiente de dados médicos é contaminada por fatores como, por exemplo, pressões comerciais. Ou incertezas regulatórias – quando as normas de aprovação das agências de regulação foram cumpridas, mas os questionamentos científicos demandados pelo dia a dia não estão necessariamente respondidos. Como ser um bom médico no meio (ou embaixo) de tanta informação? Como ter certeza que estamos tomando a decisão mais acertada e sustentada no melhor dado científico disponível – e ainda por cima sem desperdício? 

Uma ferramenta que tem ganho espaço é a inteligência artificial, com soluções cognitivas que conseguem fazer a leitura imediata de todas as publicações médicas e estudos clínicos em andamento com base nas informações clínicas e no painel genético de cada paciente. Esse novíssimo recurso garante, pelo menos, que nenhum dado deixou de ser considerado e que, frente ao nível mais criticamente importante de conhecimento médico disponível, as considerações corretas poderão ser apreciadas com segurança. A parceria do Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, e a IBM, através do Watson for Oncology (foto), inaugura um modelo inédito na América do Sul, sustentado em um banco de dados de descomunal (são 15 milhões de informações científicas) e alimentado diariamente.

Evidentemente este poderoso aliado não é um substituto do médico, da mesma forma que a estetoscópio não substitui a profissional que faz a asculta. Para uma geração que chega até o médico após dar uma passada no Google e, na sequencia, é bombardeada com pressões que vão do místico até a mais adequada informação científica, o médico se tornou ainda mais importante para traduzir e aplicar o que realmente pode ajudar seu paciente. São ferramentas que podem nos ajudar a ser médicos melhores.

*Oncologista, preceptor da residência médica e pesquisador do Hospital do Câncer Mãe de Deus, de Porto Alegre.   


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