Paulo Bellini, fundador da Marcopolo, morre aos 90

Empresário atuou fortemente na internacionalização da companhia

Da Redação

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Paulo Bellini, fundador da Marcopolo, morre aos 90 anos

A Marcopolo comunicou nesta quinta-feira (15) o falecimento de Paulo Bellini, aos 90 anos, um de seus fundadores e presidente emérito da companhia. Ele estava internado no Hospital Unimed, em Caxias do Sul, desde a semana passada, se recuperando de uma infecção e teve falência múltipla dos órgãos. Bellini foi um dos fundadores da Marcopolo, empresa que começou como fabricante de carrocerias de ônibus e hoje se destaca como desenvolvedora de soluções para a mobilidade e para o transporte coletivo. Filho de descendentes italianos e formado em contabilidade, nasceu em 20 de janeiro de 1927, em Caxias do Sul, e se destacou pela quebra permanente de paradigmas, por uma forte determinação pela qualidade dos produtos, pelo crescimento sustentado da empresa e pela valorização do ser humano. Em sua trajetória ao longo de 67 anos na Marcopolo, Bellini exerceu funções em diversas áreas, inicialmente cuidando da administração, contabilidade, pessoal e compras. 

Se Tornou diretor-presidente em outubro de 1969 e foi eleito presidente do Conselho de Administração da Marcopolo, em 2006, posição que ocupou até 2012, quando foi nomeado presidente emérito. Bellini percebeu rapidamente que produzir ônibus demandava mão de obra intensiva e altamente qualificada e que as pessoas eram a alma do negócio. Por isso, dedicou-se à criação de um ambiente de confiança para garantir a permanente motivação das equipes, o que se transformou em um dos principais diferenciais competitivos da Marcopolo, assim como a inovação e a flexibilidade dos processos produtivos da empresa. O executivo vislumbrou a potencialidade do mercado internacional e, ainda em 1961, realizou a primeira venda ao Uruguai. A partir daí, as exportações foram crescendo até que, na década de 1990, teve início o processo de internacionalização, que resultou na multinacional brasileira.

Nos idos de 1986, Bellini fez uma viagem ao Japão com o objetivo de conhecer os processos de administração participativa. Ao regressar, apoiou, com entusiasmo, a implantação de novas filosofias de trabalho. As fábricas da Marcopolo foram adaptadas com sucesso aos novos métodos, tornando-se referência internacional. Isto reforçou a importância da disposição para “fazer acontecer”, que é marca dos colaboradores da Marcopolo, expresso no lema que Bellini sempre fez questão de enfatizar: “As pessoas são nosso grande diferencial competitivo”.

Em 2012, Paulo Bellini lançou o livro “Marcopolo, sua viagem começa aqui”, escrito a muitas mãos com o objetivo de registrar as experiências que ajudaram a construir e explicar um pouco da cultura Marcopolo. Como presidente emérito, Bellini sempre zelou pela cultura da Marcopolo, sua marca e imagem, além de garantir a permanente valorização e motivação dos seus colaboradores. Um dos meios encontrados para estar próximo das pessoas na empresa foi o Encontro Marcado. Todo final de ano, Bellini encontrava os funcionários e lhes entregava um brinde. Em seu registro no livro, o presidente afirmou: “Para mim, é uma oportunidade de poder agradecer a dedicação pelo trabalho desenvolvido durante o ano, a participação indireta dos familiares e desejar um ano ótimo e que eles possam trabalhar com alegria e bom humor.”

Para Francisco Gomes Neto, diretor-geral da Marcopolo, Bellini é um exemplo a ser seguido. “Paulo Bellini deixa um forte legado para os executivos da Marcopolo. Ele sempre foi um modelo no relacionamento com os colaboradores, uma referência no cumprimento do principal valor da companhia, que é o respeito e a valorização das pessoas. Sua liderança inspiradora continuará presente e vamos continuar trabalhando para manter a marca Marcopolo como sempre foi, um motivo de orgulho para o nosso estimado fundador”.

Amigos de longa data
Amigos de longa data e parceiros no empreendedorismo, o empresário Raul Randon e Bellini trilharam caminhos semelhantes. "Começamos juntos, éramos amigos, trocávamos ideias. Mas o  tempo passa e um dia termina. Porém, a imensa obra do Paulo vai ficar representada numa empresa vencedora e nos milhares de empregos e famílias que vivem dela”, destaca Randon. “Paulo nunca desanimou. Enfrentava as crises e saia delas mais forte. Sempre teve confiança no Brasil. Lutou para promover o desenvolvimento e o progresso para que nossos jovens vislumbrassem um futuro [melhor] no país onde nasceram. Foi-se um grande cidadão", consterna-se o fundador das Empresas Randon ao lembrar do amigo.


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