As artimanhas da geografia da alma

Meus rincões são a impermanência do trânsito e o não-concreto do ar

Por Fenando Dourado Filho, do Recife (PE)

Meus rincões são a impermanência do trânsito e o não-concreto do ar, afirma Fernando Dourado Filho

Semana passada estava em São Paulo, lá onde tenho meus livros e o máximo que se assemelha a uma rotina. Depois vim ao Recife e aqui passei uns dias. Quarta-feira, fui ao Rio de Janeiro. Depois de 48 horas sob os braços do Cristo Redentor, cá estou eu de volta a meu lendário torrão nordestino. Tendo estado só a 40 minutos de voo de minha casa paulistana, os compromissos editoriais me trouxeram de volta ao Recife. Um imenso remorso me acometeu no pouso do avião aqui na manhã de sexta. Poderia ter ido a São Paulo e ficado pelo menos um dia em minha amada casa. Teria sido pouco, mas sem dúvida que melhor do que nada. Daqui, já vou para a Europa, o que só agrava a sensação de abandono do ninho. O que fazer? É assim que vivo há mais de 40 anos. Mais do que nunca, porém, entendo aquelas pessoas que me pareciam arraigadas a seus rincões. Aliás, qual é o meu? A impermanência do trânsito, o não-concreto do ar. E eu que pensava que se me tornasse um escritor – ainda um projeto –seria um homem menos nômade. Que nada. Nem escritor a pleno e sedentário menos ainda. São os labirintos da geografia da alma.  


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