HSBC vê futuro mais "luminoso" para o Brasil

Um ponto de inflexão deve ficar mais claro com recuperação do PIB

Por Infomoney

HSBC vê futuro mais "luminoso" para o Brasil

O banco HSBC fez um relatório em que destacou o cenário para os ativos no Brasil. Para ilustrar os pontos, os estrategistas do banco britânico destacaram que estão overweight (com exposição acima da média) em ativos do país e que as ações brasileiras normalmente têm um bom desempenho após um ciclo de baixa. Além disso, o mercado nacional está longe de ter sido "sobre-comprado" pelos investidores estrangeiros. Os estrategistas do HSBC destacam um relatório do final de abril, em que elevaram a recomendação do Brasil de neutra para overweight, afirmando que "a perspectiva imediata é claramente desafiadora, mas o cenário de longo prazo é mais luminoso". Um ponto de inflexão deve ficar mais claro com uma recuperação do PIB e uma política monetária provavelmente mais expansionista quando a inflação começar a cair.

"Embora haja pouca visibilidade imediata sobre essa mudança no ciclo, com base em previsões econômicas do HSBC, isso não deve ser muito distante. Podemos ter montado o nosso call um pouco cedo mas, uma vez que há maior transparência, nós pensamos que o mercado tem potencial para se movimentar muito mais rapidamente – e que poderia ser fácil perder a mudança positiva. Além disso, olhando através de uma lente para os BRICs, como o Brasil é agora o retardatário óbvio – o equilíbrio entre o considerável potencial e o limitado risco de queda é atraente", afirma o documento.

As ações brasileiras estão persistentemente com um desempenho inferior ao do índice geral de mercados emergentes nos últimos anos. Há uma série de razões para isso, mas talvez uma razão sistêmica é o crescimento continuamente fraco. Inclui-se neste pacote a Petrobras e a Vale, que tem tido um desempenho inferior. "Também há o caso de que a confiança na indústria caiu – na verdade, é agora menor do que na crise financeira de 2008-2009. Historicamente, se pode observar que o indicador de confiança dos empresários não tem se mantido persistentemente em níveis muito deprimidos. Por isso parece razoável, especialmente se as nossas previsões econômicas estiverem certas, esperar uma recuperação", destacam. "Portanto, a reversão à média significa um enorme potencial de ganhos em relação aos níveis atuais, assim como nos preços das ações brasileiras", afirmam.

Os estrategistas também destacam o ciclo de negócios no Brasil, observando três episódio (abril de 1999, setembro de 2003 e janeiro de 2009). "É claro que todos esses ciclos de negócios são diferentes, mas talvez haja alguns ensinamentos gerais que possam ser extraídos a partir dos dados", sustentam. Historicamente, as ações globais brasileiras têm tido um desempenho mais fraco, mas superam modestamente o desempenho dos emergentes, com queda de 9% antes do fim do ciclo ante queda de 15% para os emergentes como um todo.Em seguida, um desempenho muito forte nos três meses anteriores ao ponto mais baixo da confiança das empresas (+22% nos últimos três meses), antes de ter uma alta muito forte nos três meses seguintes (+50%). Se uma parte do princípio de que o nível do índice ciclo de negócios atual é o ponto mais baixo nesse ciclo, o desempenho nos últimos 12 meses tem sido muito fraco (-22% versus +5% para emergentes). "No mês passado, no entanto, o Brasil registrou alta forte de 16%, o que indica o ciclo para novas altas”, argumentam.

Ao olhar a análise para o setor, o que se observa é que os segmentos de consumo discricionário, industrial e utilities têm tido um desempenho especialmente fraco. "Esperamos que o Brasil esteja registrando recuperação de um modo bastante geral. [...] Em termos de valorização, o Brasil tem sido normalmente transacionado de forma barata no ponto mais baixo do ciclo – com o PE relativa à negociação com emergentes em cerca de 0,6 vez", afirma o relatório. Ao observar os investidores estrangeiros, o HSBC destaca que, após receber grandes quantidades de capital depois da crise financeira de 2008-2009, a entrada de capital estrangeiro tem sido morna nos últimos anos. Por outro lado, houve saídas significativas desde março de 2013 em comparação aos BRICs. "Olhando para as alocações atuais de fundos, o que se observa é que o Brasil está longe de ter sido excessivamente comprado e que há uma margem significativa para liquidez e as alocações subirem", resumem.


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