Bolsa cai 8,5% após denúncia envolvendo Michel Temer

Os investidores precificam os riscos de queda do presidente

Da Redação, com Agência Brasil

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Os investidores precificam os riscos de queda de Temer e a suspensão da agenda de reformas do governo

A denúncia de suposta obstrução de Justiça por parte do presidente Michel Temer na operação Lava Jato repercutiu imediatamente no pregão desta quinta-feira (18). Às 10h22, o Ibovespa despencava 10,4%, a 60.470 pontos, acionando o mecanismo de circuit breaker. Os investidores já estão precificando os maiores riscos de queda de Temer e a suspensão da agenda de reformas do governo. 

Um pouco menos de 40 minutos depois, o índice caia 8,5%, a 61.750 pontos. No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 disparavam 100 pontos-base, a 10,07%. Os contratos de dólar futuro com vencimento em junho deste ano acumulavam alta de 8,6%, sinalizando cotação de R$ 3,417, no limite estabelecido pela bolsa. 

As ações brasileiras negociadas em Nova York caíram também. Para Leandro Ruschel, diretor da Liberta Global, escola internacional de investidores do Grupo L&S, o mercado precifica o aumento “brutal” da incerteza com os desdobramentos dos fatos políticos brasileiros. “Em relação à reforma da Previdência, que é uma condição necessária para equilibrar as contas públicas, com esse cenário fica inviável a aprovação”, avalia Ruschel.

O Banco Central (BC) informou que está monitorando o impacto das informações divulgadas pela imprensa e atuará para manter a plena funcionalidade dos mercados. "Esse monitoramento e atuação têm foco no bom funcionamento dos mercados. Não há relação direta e mecânica com a política monetária, que continuará focada nos seus objetivos tradicionais", declara o BC. O Tesouro Nacional também divulgou nota informando que "permanece monitorando os impactos decorrentes dos fatos políticos mais recentes, e adotará as medidas necessárias para assegurar a plena funcionalidade e a adequada liquidez dos mercados". O Tesouro também informou vai atrasar a abertura do Tesouro Direto. “Devido à forte volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã, informamos que o Tesouro Direto atrasará a abertura do mercado”. 

Por volta das 10h, o Tesouro Nacional informou ainda que, em razão da volatilidade observada no mercado, não realizará os leilões de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com vencimentos em abril de 2018 e 2019 e em julho de 2020. Também não será promovido leilão de Letras Financeiras do Tesouro Nacional (LFT), com vencimento em março de 2023.

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