Sua equipe estagnou? Chame um Dani Alves

Ou: times heterogêneos vão mais longe

Por André D´Angelo

Daniel Alves , jogador da Juventus

Se você acompanha o futebol europeu, ainda que superficialmente, deve saber que nenhum outro jogador tem chamado mais a atenção por sua performance, nas últimas semanas, do que o lateral brasileiro Daniel Alves, da Juventus (Itália). Responsável direto pela classificação do time à final da Liga dos Campeões, Dani Alves está em sua primeira temporada no clube italiano, formando uma parceria cujo sucesso não deixa de surpreender. Afinal, time e jogador são quase opostos um do outro.

A Juventus é historicamente um time pragmático e cauteloso, para o qual 1 a 0 é goleada. Constitui, provavelmente, a mais prototípica representação do pouco gracioso futebol italiano. Já Dani Alves vem de meia dúzia de temporadas no Barcelona, nas quais aprendeu e aprimorou um estilo de jogo envolvente, esteticamente atrativo, quase parnasiano. Ao contratar o lateral, a Juve parecia esperançosa de fazê-lo se adaptar ao seu futebol metódico, mas o que aconteceu foi o contrário: o brasileiro é que deu um pouco mais de cor e ousadia ao previsível esquema dos italianos (saiba mais aqui). O resultado foi excelente.

É possível fazer uma analogia entre esse exemplo recente do esporte e a vida corporativa. Equipes de trabalho homogêneas, em que todos os seus integrantes se parecem quanto a formação, pensamento e objetivos, são excelentes para gerar resultados de curto prazo. Costumam ter performances melhores logo de início, visto que precisam de menos tempo para aparar arestas e chegar a um patamar satisfatório de desempenho. Porém, seu teto é mais baixo. Ou seja, logo a performance se estabiliza em um nível aceitável, marcando o início da estagnação – fenômeno que, diga-se de passagem, pode até ser favorável para atividades mais burocráticas e repetitivas, que exigem previsibilidade. 

Equipes heterogêneas, por sua vez, custam mais a engrenar, uma consequência direta da dificuldade de fazer conciliar perfis, interesses e pontos de vista distintos. Sua evolução tende a ser mais lenta, também, mas seu potencial é mais elevado. Permitem alcançar resultados superiores aos das equipes homogêneas, desde que considerado o longo prazo – como mostra o gráfico ao lado, extraído da edição de junho de 2016 da revista Forbes Brasil. Ou seja, a diversidade de integrantes
é compensadora para aqueles que têm em mente horizontes de tempo mais amplos e tarefas mais exigentes em matéria de criatividade e capacidade intelectual. 

No caso mencionado na abertura deste post, a Juventus era uma equipe homogênea e perfeitamente preparada para gerar resultados repetidamente consistentes – bater seus adversários no longo campeonato italiano, jogado aos finais de semana em turno e returno. Tanto que, não por acaso, está se aproximando do hexacampeonato, uma marca histórica no certame. Mas era um time menos habilitado a vencer a Liga dos Campeões, em que lampejos de talento podem mudar o rumo de uma partida e fazer toda a diferença entre quem avança e quem fica pelo caminho. Incorporar um jogador de perfil oposto ao dos que já existiam no grupo foi decisivo para este salto de desempenho. 

Assim, quando você sentar em frente à TV no próximo dia 3 de junho para assistir a Velha Senhora desafiar a monótona hegemonia madridista, reserve um tempinho para pensar se um Daniel Alves não faria bem para sua equipe de trabalho, por mais redondinha e azeitada que ela pareça hoje – como bem aprenderam os italianos, não há nada muito bom que não possa ficar melhor.

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