É hora do Aging in Market!

Marcas brasileiras devem estar atentas aos consumidores com mais de 60 anos

Martin Henkel

Os 60+ nos desafiam – em uma mão um controle remoto de TV customizado, na outra o WhatsApp

Inicio minha primeira postagem agradecendo e parabenizando a revista e o portal AMANHÃ pela visão de oportunidade e de necessidade imediata do mercado entender melhor o que está acontecendo com este novo e veterano nicho e mercado: os consumidores com mais de 60 anos de idade – público que será destaque neste Blog que chamei de Mercado 60+.

 

O Aging in Market, conceito ao qual sou o autor e incentivador da sua propagação, se materializa como abordagem prática e objetiva para marcas, produtos e serviços aproveitarem as oportunidades do segmento de consumo que mais cresce em volume e exigência – os 60+. As questões demográficas do envelhecimento populacional brasileiro são diária, intensa e amplamente debatidas. É senso comum que a pirâmide etária já mudou de formato, a expectativa de vida aumentou significativamente e o “carpe diem” é o que norteia o novo comportamento. Mesmo assim, a população de mais de 60 anos tem uma percepção muito ruim das soluções, serviços e produtos que são obrigados, muitas vezes por falta de opção, a consumir. O fato é que poucas grifes estão se preparando para competir pelos bilhões que passarão em suas mãos este ano.

 

O “aging in place” que preconiza oferecer condições estruturais, arquitetônicas, ergonômicas, de segurança, logística, sociais, médicas e econômicas para que as pessoas possam envelhecer seguras, felizes, independentes e pelo maior tempo possível, nas suas casas, é um mercado em crescimento e milionário. São desde serviços até equipamentos desenvolvidos e pensados para suprir antigas e novas necessidades se adequando aos novos comportamentos dos 60+ focados na Fase I das questões do aumento e mudanças nas características da longevidade. Proponho que avancemos para a segunda fase do tema longevidade para tratarmos a relação dos 60+ com o mercado de consumo e seu novo modo de vida. O impacto no “aging in place” é imediato, pois viver mais tempo dentro do lar depende de todos os serviços e produtos que estão fora dele. O marketing já estudou e ainda pesquisa tanto os Millennials e as melhores formas de se relacionar com eles. E faz total sentido dar a mesma atenção para o consumidor 60+.

 

O Aging in Market provoca e promove uma nova visão, interação, instiga a curiosidade das marcas e produtos quanto às motivações de consumo, interesses, características físicas e sutilezas de design necessárias a uma experiência de compra e relacionamento mais adequada para esse público. A aplicação do Aging in Market ampliará participação de mercado e de marca. Aquela antiga história de que o consumidor da terceira idade não troca de marca ficou no baú do passado. O novo consumidor 60+ está aberto a novas experiências desde que perceba estar recebendo uma entrega e uma experiência singular.

 

Ao contrário do que possa parecer, o Aging in Market não se propõe apenas a desenvolver novos produtos e novas marcas. Antes de tudo, ele sugere ampliar e ajustar o olhar para este consumidor, entendendo suas necessidades, desejos, motivações, gatilhos cognitivos, desafios de design, usabilidade de embalagens, formato, peculiaridades no relacionamento (leia-se atendimento) e detalhes de layout de loja e pontos de venda. Simples assim, certo? Aí que está o desafio. Preste atenção ao seu redor: os 60+ já estão por aí no mercado. Comprando e comprando muito! Eles representam 20% do consumo no varejo e serviços. E terão cerca de R$ 800 bilhões em mãos este ano no Brasil para consumir!

 

Entenda os 60+, atenda os 60+ e conquistará seu share em um mercado que só tende a crescer.

 


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