O rali da Petrobras na Bolsa só começou

Em abril, as ações ordinárias da estatal disparam quase 50%

Por Infomoney

O rali da Petrobras na Bolsa só começou

A Petrobras (foto) foi uma das grandes responsáveis pela escalada do Ibovespa em abril. Eliminadas incertezas sobre o seu balanço auditado de 2014 e em meio à forte entrada de investidores estrangeiros na BM&FBovespa, a resposta não poderia ter sido outra: a ação ordinária da estatal disparou 48,7%, enquanto a preferencial subiu 34,1% no mês passado. O movimento, no entanto, não se encerrou com a virada do mês. Nos dois primeiros pregões de maio, os papéis da petroleira dispararam cerca de 10%, mas devolveram parte das perdas na véspera, quando praticamente anularam os ganhos de terça-feira (5), em um movimento visto por analistas como de uma correção natural frente à forte valorização. Mas, diante de toda a euforia, o rali começa a gerar dúvidas aos investidores: será que essa alta veio para ficar? Para gestores consultados pelo InfoMoney, essa disparada é só o começo. Uma visão respaldada pelos últimos passos dados pela empresa em busca de redução do Capex (investimentos em bens de capital), liberdade para formar seus preços, mais eficiência no controle das despesas operacionais e, por último, expectativas de que o governo tire a exclusividade da companhia no pré-sal.

"Tudo isso é muito novo para a empresa que vinha sendo inundada por notícias sobre corrupção quase todos os dias. Isso é muito positivo para o investidor, principalmente o estrangeiro. Como gestor, não vejo como não ter Petrobras agora. Tenho comparado muito com a fênix levantando das cinzas. Vejo a companhia ainda em um primeiro movimento para se erguer das cinzas", disse o gestor americano James Gulbrandsen, sócio e chefe de investimentos da NCH Brasil. Para ele, essa arrancada da Petrobras significa coisas "fantásticas" para a Bolsa brasileira. "Depois de quatro anos fáceis de bater na Bolsa brasileira, vejo uma grande probabilidade de uma forte valorização em 2015, liderada provavelmente por Petrobras. Acredito que o rali só começou e tenho dó do gestor que não tenha o papel na carteira", comentou.

Visão similar é dada por Frederico Mesnik, gestor da Humaitá Investimentos. Ele acredita que, após o balanço e considerando que não haverá nenhum fato novo sobre corrupção, a ação da companhia pode alcançar faixa entre R$ 18 e R$ 20 – patamar próximo ao preço-alvo atribuído pelo Bank of America Merrill Lynch aos papéis ordinários, de R$ 19,60. A Petrobras tem ainda problemas significativos a enfrentar, liderada por sua pesada dívida que lhe dão espaço operacional limitado pela frente, mas, devido a uma potencial reestruturação gradual do seu negócio, isso poderia gerar um efeito importante sobre o crescimento dos lucros e retorno sobre o capital da empresa, escreveu, em relatório, o analista Frank McGann, do BofA, após reunião com o CFO da estatal, Ivan Monteiro. "Por isso, vemos um forte potencial de valorização do papel tanto no médio quanto no longo prazo".

Aliado aos passos que vêm sendo adotados pela companhia, juntamente com a mudança em sua diretoria e com o governo ensaiando uma política de preços mais clara para a empresa, o preço do petróleo segue em disparada no mercado internacional, batendo na terça-feira (5) o maior patamar desde dezembro do ano passado, comentou Mesnik. Argumentos que dão base para sua projeção de que a alta da Petrobras só começou: "estamos ainda em fase de cobertura de posição vendida para depois pegar aqueles investidores que estavam atrasados". Um relatório desta semana do Citi aponta que cobertura de posições vendidas contribuíram em 10 pontos percentuais para o rali de 40% dos papéis da Petrobras desde a metade de março. "O que prejudicou a Petrobras foi a ingerência do governo, com uma política de preços opaca e antieconômica, juntamente com a obrigatoriedade da empresa de comprar equipamentos de produção nacional. Quando tiramos tudo isso, a companhia só tende a ir embora na Bolsa", disse.

No mais, há ainda análise ainda pouco difundida no mercado de que a estatal poderá promover um reajuste nos preços da gasolina ainda este ano após disparada dos preços do petróleo e tendência de que continuem elevados. Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, faz sentido que a companhia reajuste os preços neste ano. "Não deve ser muito alto, mas o suficiente para refazer o caixa da companhia". Para ele, como 2015 está "perdido", a alta poderia reforçar o sentimento de segurança e de confiança com a empresa e o país. Dado que o atual presidente e a diretoria da empresa já se posicionaram que querem ter liberdade para formar seus preços, e se isso for uma verdade, o que vem respaldado pelo caráter mais pró-mercado do governo atualmente, podemos lidar com essa situação em breve.



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