Positivo, operante

Breves lições por trás da mudança de nome do grupo paranaense

Por André D´Angelo

André D´Angelo analisa as lições por trás da mudança de nome do grupo paranaense

O portal AMANHÃ noticiou a mudança de nome do Grupo Positivo, do Paraná, de Positivo Informática para Positivo Tecnologia (leia aqui). A troca deve-se à ampliação do escopo de atuação da companhia, que, a exemplo da Apple, não produz apenas computadores, mas também outros dispositivos tecnológicos. 

Por trás dessa alteração aparentemente singela existe uma história empresarial bastante interessante e didática a respeito de como as coisas ocorrem no mundo dos negócios. O Positivo começou como um cursinho pré-vestibular em Curitiba, em 1972. Nos anos seguintes, cresceu no ramo da educação, expandindo sua atuação para o ensino fundamental e médio, bem como desenvolvendo um sistema de ensino vendido sob licença.

Até aí, tudo muito lógico e previsível. No entanto, o sucesso de seus materiais de ensino foi tamanho que gráfica nenhuma conseguia dar conta da demanda. A solução? Criar a própria gráfica, que, com o passar do tempo, passou a atender não só às demandas do grupo, como também de clientes externos.

O mais interessante ocorreu depois. A Positivo entrou no ensino superior, criando uma faculdade. Um de seus cursos, o de informática, dependia, obviamente, de disponibilizar aos alunos bons microcomputadores, coisa difícil de obter no país à época – o mercado era fechado às importações e a maior parte das máquinas era montada por empreendedores informais. A Positivo decidiu então montar as suas próprias máquinas, que não tardaram a ser cobiçadas fora da companhia.

Desde então, a empresa tornou-se conhecida justamente nesse ramo, o da informática. Os computadores foram, primeiro, vendidos a governos, através de licitações. E, depois, no varejo. Com a ascensão de tablets e smartphones, em detrimento dos PCs, a empresa adaptou-se e ingressou nesses dois segmentos, ensejando a tal mudança de nome.

A história da empresa paranaense pode não ser exatamente típica daquilo que ocorre na maior parte das companhias, mas nem por isso deixa de oferecer lições interessantes. A principal delas é que empresas nascem com um conjunto de competências voltadas para um ramo de atividades, mas nem por isso devem fechar os olhos para as mudanças do cenário em que atua. A propalada necessidade de foco em um segmento de negócios é mais uma advertência a pretensões descabidas e fantasiosas do que uma regra de ouro do management; não raro barreiras ou oportunidades surgidas em meio a uma trajetória sugerem – ou, às vezes, obrigam – uma mudança parcial ou completa de rumos e vocações. 

O mesmo se aplica a cada um de nós, como profissionais. Uma visão aberta das possibilidades que o mercado de trabalho oferece, bem como da nossa própria capacidade de desenvolver novas habilidades, é mais do que bem-vinda atualmente. Almejar empregabilidade é coisa do passado; hoje, o importante é a trabalhabilidade – o cultivo de condições que permitam a alguém continuar competitivo não apenas na disputa por vagas formais, como também para a criação de novas atividades ou negócios. E, para isso, a maneira como definimos nossas próprias competências tem de mudar de escopos estreitos – como “informática”, “contabilidade”, “advocacia” – para outras mais amplas, como bem ensina o Grupo Positivo. 


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