Que venham muitas mais Expodiretos

O otimismo tomou conta de Não-Me-Toque, revela Paulo Pires

Por Paulo Pires*

Vista da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque

No final do século 20 uma cooperativa gaúcha, a Cotrijal, num misto de ousadia e determinação, decidiu realizar uma feira de negócios para difundir a tecnologia direcionada ao agronegócio no Rio Grande do Sul. A Expodireto iniciou no ano de 2000 com uma área de 21 hectares, 114 expositores, 41 mil visitantes e realizando R$ 2,1 milhões em negócios. O evento inédito deu início a uma retomada na economia guindada pelo campo, que, aliás, muito segurou o país em momentos de incerteza e instabilidade. Com o passar do tempo, a feira da pequena cidade do Planalto gaúcho, não parou mais de multiplicar seus números, chegando aos 511 expositores, 240 mil visitantes e somando R$ 2,1 bilhões de faturamento na sua 18ª edição. A Expodireto (foto) já é reconhecida como uma balizadora do mercado: se vai bem, a expectativa para o setor é positiva e motiva negócios em outros locais Brasil afora. E em 2017, nos estandes e ruas do parque em Não-Me-Toque, conhecida como a Capital Nacional da Agricultura de Precisão, a palavra “otimismo” foi repetida diversas vezes.

A feira, cujo propósito de ser um evento de negócios que tem a inovação como principal atrativo, também conseguiu capitalizar o fato de se tornar o principal fórum de debates e reivindicações dos agricultores gaúchos e suas entidades. As conversas, em cada uma de suas edições, trataram dos mais diferentes temas. Discussões importantes, como a liberação dos transgênicos, tiveram seu pontapé inicial na Expodireto. E na sequência vieram outros importantes seminários organizados pelas mais diversas instituições como a do milho, leite, trigo, erva-mate, entre outras. Tudo para nortear os produtores em relação ao que acontece nessas importantes cadeias produtivas. No tradicional Fórum Nacional da Soja, que completou 28 edições e que passou a integrar a programação da Expodireto Cotrijal, discutimos mercado e questões técnicas, por exemplo. E inovamos neste ano ao apresentar em primeira mão os dados do Cadastro Ambiental Rural. A previdência rural, tão em evidência atualmente, foi outro assunto que os produtores fizeram questão de conhecer. Tanto é que esse debate lotou o auditório central do parque no último dia da feira.

Um dado significativo é a alta produção de soja nos municípios próximos à sede da Cotrijal. Por causa da assistência técnica e agricultores mais capacitados, a região de abrangência da cooperativa apresenta 30% a mais de produtividade que a média do Rio Grande do Sul no decorrer dos últimos cinco anos. Isso demonstra que o uso do conhecimento faz com que vençamos os desafios de produzir cada vez mais, de forma sustentável, preservando o meio ambiente e fornecendo alimentos saudáveis para a mesa da população brasileira. A pujança da Expodireto e da própria Cotrijal, que transformou Não-Me-Toque em referência de agricultura de precisão no país, pode ser traduzida em números proporcionados pelas cooperativas agropecuárias gaúchas. No ano passado, as associadas da FecoAgro/RS tiveram uma alta de 11,3% no faturamento, somando um total de R$ 20,4 bilhões. Um dos fatores principais para tamanho desempenho foi a originação de grãos [captação direta com os produtores rurais] encabeçada pelas cooperativas. Por consequência, tivemos um salto no recebimento de trigo e soja (que neste ano deve chegar a 50%). E isso se deve, repito, ao trabalho que as áreas técnicas das cooperativas vêm desenvolvendo com os produtores rurais, o que dá credibilidade ao trabalho do sistema. Mesmo em um período de turbulência política e econômica, as cooperativas têm elevado suas receitas – vitória que confirma a máxima de que hoje o cooperativismo é um dos setores mais sólidos do Brasil. 

Mas até que ponto podemos afirmar que toda essa evolução protagonizada pela Expodireto Cotrijal ajudou no desenvolvimento do agronegócio gaúcho? Muito! Quando uma feira, realizada por uma cooperativa, destaca-se como uma das maiores do país (e do mundo, já que a cada ano ela cresce em participação de estrangeiros, pois foram mais de 30 embaixadores nesta edição), é inegável que ela faz avançar o agronegócio – tanto no aspecto produtivo como na concepção de políticas públicas para o setor. A Expodireto, organizada competentemente pela Cotrijal, vem servindo de inspiração para outras cooperativas. Muitas delas estão promovendo eventos importantes para os produtores, levando conhecimento, tecnologia e, também, gerando novos negócios. Que venham muitas mais Expodiretos, pois inspirados por ações como essa, certamente teremos um mundo melhor para todos.

*Presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS). 


leia também

A vida de uma organização exemplar - Como a Coamo virou um modelo de cooperativismo a ser seguido

Atuação em rede que produz melhores resultados - Para Luiz Vicente Suzin, presidente da Ocesc, a intercooperação dá independência ao sistema cooperativista

Autoridade em Plantio Direto - Conheça a Semeato, case do livro “100 Marcas do Rio Grande”

Coamo atinge faturamento de R$ 11,4 bilhões em 2016 - As sobras destinadas aos cooperados totalizam R$ 338,2 milhões

Coamo fatura R$ 10,7 bilhões em 2015 - A maior cooperativa do Sul cresceu 22%

Coamo investirá mais de R$ 1 bi nos próximos quatro anos - Cooperativa construirá 25 entrepostos no Sul, além de unidades no MS

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: