Atuação em rede que produz melhores resultados

Para Luiz Vicente Suzin, presidente da Ocesc, a intercooperação dá independência ao sistema cooperativista

Por Luiz Vicente Suzin*

Para Luiz Vicente Suzin, presidente da Ocesc, a intercooperação dá independência ao sistema cooperativista

O cooperativismo catarinense é reconhecido e festejado pelos organismos nacionais do setor como o melhor do Brasil. Alguns números revelam essa eficiência: as 260 cooperativas registradas na Ocesc reúnem 1,9 milhão de pessoas e movimentam R$ 27 bilhões ao ano nas mais diversas atividades econômicas. Se considerarmos que cada cooperado (associado) representa uma família, constataremos que mais da metade da população de Santa Catarina está ligada ao cooperativismo.  Dois fatores explicam esse fenômeno. O primeiro deles é a vocação do catarinense para as diversas formas de associativismo, dos quais, o cooperativismo é o mais expressivo e aquele que produz melhores e maiores resultados. 

O segundo fator é o modo de atuação em rede, verticalizado e horizontalizado – aquilo que se convencionou chamar de intercooperação. Nada traduz com tanta fidelidade o nível de desenvolvimento de um sistema cooperativo como o grau de intercooperação existente entre as sociedades que o constituem. O termo pode aparentar um desses modismos que periodicamente surgem e desaparecem nas áreas da administração e da economia, com vistoso tratamento de marketing e escasso conteúdo científico. Mas não é. Intercooperação, na verdade, é o sexto dos sete princípios do cooperativismo mundial. Preconiza a parceria, a ação conjunta, o relacionamento institucional, político e comercial entre as cooperativas.

A intercooperação estabelece um relacionamento horizontal das cooperativas singulares entre si, mais profícuo que o relacionamento vertical que elas mantêm com as centrais, federações e confederações. Aqui se sobressai o sentido de rede, de verticalidade, de harmonia e integração da base operacional (as cooperativas singulares dos diversos ramos) e com as estruturas de fortalecimento (as cooperativas centrais) e de planificação e defesa institucional do setor (as federações, confederações, OCEs e OCB). Através dessa filosofia de atuação em rede, definem-se ações conjuntas e viabilizam-se empreendimentos e projetos comuns de natureza comercial, industrial, cultural e tecnológica. Em muitos países, essa prática permitiu às cooperativas crescer e enfrentar as adversidades do mercado, criando um escudo protetor que as mantêm imune às adversidades do mercado e à deslealdade dos agentes econômicos.

É essencial estimular uma cultura de integração, de concepção do cooperativismo como uma doutrina que pode e deve envolver todas as áreas da atividade humana, valorizando o trabalho, estimulando a solidariedade, premiando a participação e recompensando o esforço individual fundamentado no compromisso coletivo. Isso inclui educar os cooperados e encorajar os dirigentes sobre os benefícios da intercooperação, colocando em marcha ações que otimizem o uso das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais. 

Quanto mais intensa for a intercooperação, maior independência conquistará o sistema cooperativista e melhor cumprirá sua aspiração social.

*Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/SC).


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