Ata do Copom poderá dizer quando será o fim da alta da Selic

Banco Central parece sinalizar que o ajuste seguirá

Por Infomoney

Ata do Copom poderá dizer quando será o fim da alta da Selic

O Banco Central elevou na quarta-feira (29) a Selic, taxa básico de juros da economia, em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano, em linha com o esperado pelo mercado. Conforme destaca o Goldman Sachs, essa elevação foi consistente com o cenário bastante desafiador com relação à inflação, dada as evidências de alta de serviços alta e as recentes declarações de autoridades dos bancos centrais que os progressos alcançados para conduzir a inflação para o centro da meta de 4,5% no final do ano de 2016.

Segundo a LCA Consultores, o comunicado também "seguiu o script" ao, de novo, trazer redação lacônica – limitando-se a afirmar que “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,25% a.a., sem viés”. Ao trazer redação idêntica à do comunicado anterior, o Banco Central parece sinalizar que o ajuste monetário em curso terá prosseguimento.

Contudo, há controvérsias sobre o tema. A LCA destacou que, apesar de reconhecer que é relevante a chance do aperto monetário continuar a ser estendido –, ainda atribui probabilidade ligeiramente preponderante à hipótese de que o ajuste será encerrado após o aumento de 50 pontos-base decidido na quarta. "A descompressão cambial recente, o enfraquecimento adicional da demanda interna e o ajuste das condições fiscais contribuem para essa perspectiva". A corretora japonesa Nomura, por sua vez, mantém a expectativa por uma alta final de 0,25 ponto percentual. E pode haver um aperto mais forte, de 50 pontos-base, de olho nos dados de inflação, comportamento do câmbio e o desenrolar do ajuste fiscal. Já para o Bradesco, esse ciclo de alta, caso não tenha terminado com a decisão de quarta (hipótese que não pode ser descartada), já está bem próximo do seu fim, levando em conta principalmente que a atividade econômica segue excepcionalmente deprimida, afetando diretamente o mercado de trabalho como revelaram os dados do CAGED e da PME.

Expectativa pela ata
Com o comunicado lacônico, a expectativa segue para a ata do Copom, que será publicada na semana que vem. "[A ata] pode fornecer informações úteis sobre como o Banco Central vê o balanço de riscos para a inflação e o crescimento, pistas sobre o quão perto da inflação projetada para o fim de 2016 está perto da meta, de 4,5% e, portanto, se o Copom pode encerrar o ciclo na reunião de junho", afirma Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs. Além da ata do Copom, as próximas declarações dos dirigentes do Banco Central, serão fatores essenciais para avaliar as chances do ciclo de elevação da Selic ser estendido, ressalta a LCA. "Se as autoridades continuarem a externar opinião de que o ajuste ora implementado seria insuficiente para cumprir seu objetivo de trazer a inflação para a meta a partir do ano que vem, a probabilidade de que ao menos mais um aumento será promovido passará claramente a preponderar", conclui a consultoria.


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