Juros tendem a cair depois da alta do início deste ano

Avaliação é do chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel

Por Agência Brasil

Chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel

Depois da alta em janeiro, as taxas de juros dos empréstimos devem cair nos próximos meses, na avaliação do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel (foto).  Em janeiro, a taxa média de juros para as famílias ficou em 72,7% ao ano, com alta de 1 ponto percentual em relação a dezembro. A taxa mais alta para as pessoas físicas – a do rotativo do cartão de crédito – bateu novo recorde ao ficar em 486,8% ao ano, em janeiro, com aumento de 2,2 pontos percentuais em relação ao final do ano passado. Para Maciel, nos próximos meses as taxas de juros vão cair acompanhando o ciclo de corte na taxa básica de juros, a Selic. Na quarta-feira (22), o BC reduziu novamente a Selic em 0,75 ponto percentual para 12,25% ao ano.

Segundo Maciel, é comum haver em janeiro aumento dos juros dos empréstimos. Isso acontece porque em janeiro os clientes das instituições financeiras voltam a usar modalidades de crédito rotativo [cheque especial e rotativo do cartão de crédito] com taxas mais caras, depois de quitar essas dívidas com o 13º salário. “O rotativo tem taxa de juros mais alta. No final do ano com décimo terceiro as pessoas pagam esses empréstimos rotativos e o peso deles em dezembro diminui. Em janeiro, há retomada dessa modalidade com juros mais altos. Isso faz com que a média de janeiro suba”, analisou Maciel. Ele disse, ainda, que na alta em janeiro, os juros também sofrem influência da mudança de perfil do tomador de crédito, com risco maior de inadimplência, o que leva os bancos a subirem as taxas. 

Saldo do crédito
O saldo de todas as operações de crédito concedido pelos bancos ficou em R$ 3 trilhões, com queda de 1% em janeiro, comparado a dezembro. Em 12 meses, a retração ficou em 3,9%.

“O mês de janeiro é mais fraco para o crédito. Isso está associado claramente com a própria atividade econômica”, destacou Maciel. Ele acrescentou que essa retração decorre dos empréstimos às empresas, com menos empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  Outro efeito citado por Maciel é o da queda do dólar, que reduz o saldo dos empréstimos atrelados à moeda.

Ele afirmou que há sinais de retomada do crédito ligado à atividade econômica como o capital de giro. “Tendo em vista uma perspectiva de retomada da atividade econômica, é um bom sinal”, avaliou Maciel.


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