Grupo Gerdau prevê recuperação gradual em 2017

Projetos de infraestrutura nos EUA e retomada da economia no Brasil a partir do segundo semestre animam a companhia

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Grupo Gerdau prevê recuperação gradual em 2017

O ano de 2016, definitivamente, não deixou boas lembranças para o Grupo Gerdau, a maior companhia do Sul, de acordo com o ranking GRANDES & LÍDERES – 500 MAIORES DO SUL, publicado por AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Entre janeiro e dezembro do ano passado, as vendas físicas caíram em todos os mercados atendidos pela fabricante de aço. À parte as usinas de aços especiais, as operações no Canadá, nos Estados Unidos e no México comercializaram 6 milhões de toneladas – um recuo de 4% que se deveu à contínua entrada de produtos importados na região e ao momento de cautela quanto à definição das eleições presidenciais nos Estados Unidos. 

Na divisão de aços especiais (que inclui usinas no Brasil, Estados Unidos e Índia), foram vendidos 2,1 milhões de toneladas em 2016. A redução chegou a 20% e se explica pela venda das unidades na Espanha e, em menor proporção, pela queda nos volumes comercializados pelas unidades do Brasil. No mercado interno brasileiro, a comercialização encolheu 13%, para 3,7 milhões de toneladas, em razão do menor nível de atividade da construção civil e da indústria. No entanto, o Brasil trouxe um alento: as exportações a partir daqui apresentaram aumento de 9%, atingindo 2,4 milhões de toneladas, devido ao esforço comercial realizado junto ao mercado internacional.

Mesmo assim, o atual patamar da cotação da moeda norte-americana traz preocupação para o CEO André Gerdau Johannpeter. “No atual nível, o dólar tira competitividade do setor – ainda mais para quem exporta. Acima de R$ 3,10 seria melhor”, calcula o executivo. Por essa razão, o setor tem pleiteado junto ao governo federal o estabelecimento do percentual de ressarcimento tributário do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) em 5%. Atualmente, está em 0,1%. Questões como essa fizeram com que a Gerdau encerrasse 2016 com receita líquida consolidada de R$ 37,7 bilhões, uma redução de 14% em relação a 2015. O lucro líquido consolidado ajustado, por sua vez, foi de R$ 91 milhões e, considerando os itens não-recorrentes, o resultado contábil foi negativo em R$ 2,9 bilhões, mas sem impacto no caixa (veja mais dados na tabela ao final desta reportagem). 

A companhia aguarda que a economia brasileira volte a crescer a partir do segundo semestre. A Gerdau também espera que Donald Trump anuncie nos próximos meses o tão esperado pacote de investimentos em infraestrutura, uma de suas promessas de campanha. Enquanto esses fatos não se tornam realidade, a empresa seguirá com a estratégia de focar em operações de maior rentabilidade. Desde 2014, foram vendidos 13 ativos nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina totalizando um desinvestimento de R$ 2,4 bilhões. “Essa análise tem sido contínua. Não há nada para anunciar agora, mas seguimos estudando venda total ou parcial de ativos, por exemplo”, destacou  Johannpeter. Em 2017, a Gerdau seguirá sendo restritiva em seu plano de investimentos, com previsão de desembolso de R$ 1,3 bilhão, mesmo valor do ano passado.

Informações selecionadas

4º Tri 16

4º Tri 15

Var.
(em %)

2016

Var.
(em %)

Vendas (Mil Toneladas)

3.799

3.887

(2,3)

15.558

(8,3)

Receita Líquida  (R$ Milhões)

8.620

10.449

(17,5)

37.652

(13,6)

Margem Ebitda  (%)

8,3

8,7

 

10,8

 

Lucro Líquido ajustado (R$ Milhões)

(205)

(41)

400

91

(86,7)


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