Para surfar na onda da certificação

A Soluti abre mais dois escritórios no Sul. A meta é se tornar referência entre as provedoras de assinaturas eletrônicas

Por Laura D´Angelo

Michel Medeiros, CEO da Soluti

Desde o final de 2015, o governo federal tem exigido de micro e pequenas empresas do Simples Nacional a utilização da certificação digital para envio de informações trabalhistas, fiscais e previdenciárias. Em julho de 2016, a medida foi estendida para empresas com mais de cinco funcionários, até então isentas da obrigação. A partir deste ano, a regra passa a valer para aquelas com mais de três empregados. O que pode ser um transtorno adicional para o pequeno empreendedor brasileiro é, para a goiana Soluti, uma grande oportunidade. A empresa quer aproveitar essa onda de “digitalização” para se tornar referência entre as provedoras de assinatura eletrônica – e o caminho para isso passa pelo Sul.

A Soluti é uma das seis autoridades certificadoras privadas do país que vendem a solução da assinatura eletrônica. Com sede em Goiânia, a empresa chegou em outubro a Florianópolis e Curitiba, fechando o cerco ao mercado corporativo da região, onde já operava com um escritório em Porto Alegre. Michel Medeiros (foto), CEO da Soluti, está apostando em uma tendência, Além das obrigações governamentais, muitas empresas estão aderindo à certificação digital para procedimentos internos e transações com os clientes. Uma opção que, segundo ele, agiliza os processos dentro da organização, e reduz custos. “Um projeto bem estruturado de certificação digital se paga em poucos meses. Ele desburocratiza a empresa e tira os papéis de cima da mesa”, frisa.

A Soluti também quer reforçar o seu atendimento no varejo, valendo-se de um processo de venda pouco tradicional, no qual os pontos de atendimento, que atuam como franquias, têm dupla função. Como autoridades registradoras, os franqueados estão habilitados para validação da documentação, processo obrigatório para quem compra o certificado on-line. E também estão aptos a emitir a assinatura eletrônica. “Isso nos aproxima dos clientes finais. Como temos boa capilaridade, nosso ponto de atendimento faz a venda direta para o cliente. Em meia hora, ele faz e valida o certificado”, explica Medeiros. São cerca de 490 pontos de atendimento do Paraná para baixo, dos quais a grande maioria (400) está concentrada no Rio Grande do Sul.

Com esse modelo, a Soluti quer ampliar seus horizontes para além do mercado corporativo e difundir a utilização da certificação digital para outros nichos, como os de profissionais autônomos. A empresa tem buscado parcerias com conselhos regionais para que se tornem autoridades registradoras. É o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás, que, utilizando a solução da Soluti, está habilitada a emitir e validar a assinatura digital. Parceria semelhante foi feita com a seccional goiana da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).

A companhia ainda desenvolveu, em parceria com a e-Sec, um aplicativo para que o uso da certificação digital se tornasse mais rotineiro. O Certillion, lançado em 2016, é uma plataforma que permite ao usuário, através de celular, tablet ou computador, visualizar e assinar documentos eletrônicos. O processo de expansão e o lançamento do aplicativo deve praticamente dobrar o faturamento da Soluti no exercício de 2016, que pode chegar a R$ 57 milhões. Com os dois novos escritórios no Sul e outros três em Belém, Salvador e Fortaleza, a empresa almeja passar dos atuais 10% de market share no país para 17% neste ano, emitindo 65 mil certificados digitais por mês – 30 mil a mais do que hoje. Para uma economia em recesso, a certificação mostra ser uma onda vigorosa – e ainda longe de se desfazer.


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