A reboque do ajuste fiscal, Randon reduz investimentos

Medida confirmada por Daniel Randon é reflexo de queda de 31% na receita até março

Por Dirceu Chirivino

dirceu@amanha.com.br

A reboque do ajuste fiscal, Randon reduz investimentos

Quando definiu o ajuste fiscal do governo federal como “um remédio amargo”, em palestra para empresários gaúchos na tarde desta quarta-feira (29), o vice-presidente do Grupo Randon, Daniel Randon (foto), sabia o que estava dizendo. Até março, as Empresas Randon contabilizaram receita bruta de R$ 995 milhões, queda de 31,6% na mesma base de comparação com o mesmo período do ano passado. A atividade de autopeças, que representa praticamente metade da receita (48%), tem forte dependência do desempenho do segmento de caminhões cuja produção nacional recuou 29% no primeiro trimestre. Apesar das trepidações da economia brasileira e de seu impacto no caixa do grupo, Daniel evitou críticas à linha de política econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “As medidas de ajuste representam um remédio amargo, mas necessário”, afirmou, em almoço na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul).

As expectativas da Randon são de que os resultados do segundo semestre deste ano sejam iguais ou ligeiramente superiores aos que serão alcançados até junho. Daniel Randon exaltou as medidas de flexibilidade implantadas na jornada de trabalho no Grupo, em que os funcionários param até cinco dias num período de vinte. Ele admitiu que tal prática poderá se prolongar ainda pelo mês de maio. Randon também esclareceu que todos os projetos da empresa serão revistos e aqueles que não forem considerados prioritários serão postergados. O grupo, ainda no ano passado, projetava investir RS$ 120 milhões, mas esse valor deve ser reduzido em proporção ainda não divulgada.

Durante a palestra, o empresário se queixou dos custos de produção e das dificuldades para enfrentar a competição no exterior. Nos dois mercados mais atraentes do momento, Estados Unidos e China, os preços das matérias-primas estão entre 20% e 30% mais baixos – fato que confere maior competitividade aos concorrentes da companhia de Caxias do Sul. Além disso as empresas nacionais sofrem com as adversidades da alta tributação e da falta de infraestrutura. “Apesar das distâncias, os custos para colocar um produto no Chile são mais baixos para uma concorrente chinesa do que para uma brasileira”, desabafou. Randon também enfatizou a necessidade de as empresas investirem em inovação e qualidade de gestão. O recado tinha como alvo prioritário as estatais. “Enquanto o setor privado conta com a participação de mais de 10 mil empresas no Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade, o setor público tem apenas 700 representantes”, contou.  



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