Onde está o dinheiro?

Não falta oportunidade na indústria de Private Equity e Venture Capital, avalia Clovis Meurer, sócio-diretor da CRP

Por Clovis Meurer*

Onde está o dinheiro?

A Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap) completa 15 anos em 2015. Congrega mais de 220 associados, entre investidores, gestores, prestadores de serviços e pessoas físicas. Destacam-se aí as maiores empresas do setor, além de investidores e gestores que administram volumes significativos de recursos. Esta tem sido uma das fontes importantes de recursos para a economia real brasileira. A empresa privada, independentemente de seu porte, tem aí a possibilidade de obter recursos para acelerar negócios. O empreendedor pode encontrar, entre os associados da ABVCap, gestores voltados tanto a médios e grandes negócios quanto a empresas nascentes, muitas delas ligadas à tecnologia e inovação. Os fundos de PE/VC estão cada vez mais se especializando em determinados setores, regiões ou tamanhos de empresas. Qualquer bom empreendimento tem condições de encontrar recursos adequados entre as instituições do setor. E isso pode ser feito de forma simples, entrando em contato diretamente com qualquer um dos gestores associados à ABVCap ou por meio de consultorias especializadas, auditorias e advogados, também associados, que podem orientar o contato.

No setor de PE/VC, os recursos disponíveis para investimento crescem a taxas superiores a 20% por ano. Em 2014, ano caracterizado por dificuldades macroeconômicas – reduzido crescimento do PIB, elevação de juros, expectativas dos eventos da Copa do Mundo e das eleições –, grandes investidores e gestores nacionais e mundiais aumentaram seu nível de captação para investimentos. Anunciaram-se novos fundos com recursos superiores a US$ 10 bilhões. Grandes firmas, como Pátria/Blackstone, Gávea e Advent, anunciaram captações de US$ 1,8 bilhão, US$ 1,1 bilhão e  US$ 2,1 bilhões, respectivamente. E ainda há muitas outras, nacionais e internacionais, atuantes no Brasil. O BNDES anunciou recursos de R$ 1 bilhão para o mercado de acesso à bolsa, escolhendo gestores para a criação de dois fundos especialistas. Para este ano de 2015, tem-se um novo cenário. O ano traz a “nova gestão” dos governos federais e estaduais nas áreas econômica, da fazenda e nos principais ministérios, secretarias e órgãos – inclusive bancos e agências de desenvolvimento. O discurso de redução de despesas e busca de equilíbrio nas contas públicas indica a necessidade de uma política de investimentos governamental mais compartilhada com a iniciativa privada nos setores de infraestrutura, logística e energia, entre outros.

Na cadeia de atividades desses setores, há espaço para empresas de todos os portes, especialmente aquelas que apresentarem produtos, processos e serviços inovadores. Para essas, as linhas de crédito estarão disponíveis a taxas e condições adequadas em bancos públicos e privados. Obviamente, é importante que o empresário apresente um bom plano de negócios para demonstrar a viabilidade do empreendimento. Normalmente, os financiadores apoiam também a gestão e a  estratégia da empresa, exigindo, por outro lado, uma organização cada vez melhor de processos, informações e governança, entre outras questões. As oportunidades são inúmeras, especialmente em um país como o Brasil. Mas é necessário que tenhamos mecanismos mais adequados para dar segurança aos investidores, em uma relação justa de retorno, liquidez e rentabilidade diante dos riscos. Fora isso, o fundamental para o sucesso de um empreendimento continua sendo a determinação e o foco do empreendedor.

*Economista, vice-presidente da ABVCap e sócio-diretor da CRP.


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