Receita Federal: arrecadação cai 2,9% em 2016

Contração da economia motivou a queda

Por Agência Brasil

Receita Federal: arrecadação cai 2,9% em 2016

A arrecadação de impostos e contribuições federais chegou a R$ 127,6 bilhões em dezembro e somou R$ 1,2 trilhões no período de janeiro a dezembro de 2016. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pela Receita Federal. Na comparação com dezembro de 2015, houve queda real (descontada a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) de 1,1%. Levando em conta o período anual, a cobrança também caiu, registrando um recuo real de 2,9% em relação ao ano de 2015. 

O recolhimento das receitas federais brasileiras tem registrado sucessivas quedas devido à contração da atividade econômica. Outubro e novembro do ano passado foram exceções, com crescimento real impulsionado pelo programa de regularização de ativos, também conhecido como repatriação. Ao todo, o programa arrecadou R$ 46,8 bilhões em recursos.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que a análise da arrecadação federal ao longo de 2016 mostra uma trajetória de redução da queda. "A trajetória que encerramos 2016 foi positiva. Ainda que em um patamar negativo, houve um movimento de redução dessa queda [das receitas arrecadadas]", declarou. Para Malaquias, ainda é cedo para falar em recuperação da arrecadação. "Talvez daqui a um mês possamos dar uma notícia em relação a janeiro, mas é muito cedo para qualquer previsão", projetou. 

Segundo Malaquias, este ano a arrecadação federal será impactada pela redução das desonerações. "As desonerações terminaram em 2016 e algumas vão se encerrar ao longo de 2017. Parte das desonerações teve relação com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A Olimpíada produz efeitos na economia não só no ano em que é realizada", disse. De acordo com ele, não há estimativa de quanto a arrecadação pode crescer em função dessa redução. "Todo benefício tributário é concedido em um ambiente em que agentes econômicos tomam algumas decisões. Terminado esse período, o agente vai organizar seu negócio de forma que não necessariamente tenha que pagar esses tributos", destacou Malaquias.


leia também

Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida - Ex-presidente afirmou que recorrerá contra o que chamou de “fraude”

A China fez o que o mercado queria - Corte de juros era algo esperado, mas ainda não é suficiente para ajudar na recuperação econômica, afirmam especialistas

A estabilidade do funcionalismo público é mesmo necessária? - O tema é particularmente importante no contexto de ajuste fiscal, avalia Zeina Latif

A punição virá das gôndolas? - A tentativa de boicote às marcas do Grupo J&F

A responsabilidade do Congresso - O cuidado com os recursos públicos e o respeito à restrição orçamentária deveriam ser valores da casa, opina Zeina Latif

A superfície e as profundezas da economia - Retomada poderá ser difícil dada a situação financeira empresarial

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: