Mobilidade elétrica em marcha lenta

Regulamentação e falta de estrutura freiam uso da tecnologia no Brasil

Da Redação

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Regulamentação e falta de estrutura freiam mobilidade elétrica no Brasil

Menor custo de manutenção e operação, melhor eficiência energética e redução da poluição. Essas são apenas algumas das vantagens dos veículos elétricos. Embora seja mais eficiente que os automóveis abastecidos com gasolina, o sistema ainda não emplacou no Brasil. A implantação da infraestrutura é apontada como o principal desafio para a inserção da modalidade de transporte atualmente. O segmento também reclama da morosidade na regulamentação.

Um avanço na pauta foi a cooperação firmada entre os governos do Brasil e Portugal. A parceria elegeu como prioridade a mobilidade elétrica. O país europeu tem uma política para o setor desde 2008. Portugal é a primeira nação do mundo em que um carro movido à eletricidade pode abastecer em qualquer ponto do território – são 1,6 mil postos no total. O sucesso do projeto é atribuído, em parte, a um marco regulatório que garante a participação de empresas na comercialização de energia para a rede de abastecimento. 

“O setor de distribuição de energia brasileiro é estratégico para garantir a viabilidade de uma rede de mobilidade elétrica nacional, como a que já existe em Portugal”, afirma Gualter Crisóstomo, presidente do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos – empresa portuguesa especializada na criação de redes de mobilidade elétrica e aeronáutica. Neste ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu um processo de consulta pública para tratar do modelo de distribuição brasileiro. “Trata-se de uma oportunidade de negócios para as distribuidoras criarem postos de abastecimento para veículos elétricos. Elas podem virar uma referência no mundo associadas à mobilidade elétrica”, acredita Crisóstomo. 

Julio Omori, superintendente de Projetos Especiais da Copel e professor da Universidade Positivo, vê a regulamentação com principal ameaça para a estagnação do setor no Brasil. “Hoje, apenas as empresas de distribuição de energia podem vender o insumo para consumidores finais de baixa tensão”, reclama. Além da evolução e agilidade nas regulamentações, a implantação de uma rede de mobilidade elétrica exige investimentos subsidiários, principalmente para prover a infraestrutura elétrica de alimentação do sistema. Segundo Omori, seriam necessários cerca de 40 mil postos no Brasil. “É possível executarmos a instalação em até sete anos, dependendo do investimento disponível e do modelo de execução”, calcula. 

A tecnologia do veículo elétrico promete ser uma boa alternativa para o consumidor. Um veículo de passeio, com motor 1.0, gasta, em média, R$ 13 por recarga para percorrer 120 quilômetros. Em contrapartida, um automóvel movido a gasolina – utilizando em média 10 litros – necessita de R$ 35 para completar o mesmo trajeto. 


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