O que vem por aí: o futuro do Big Data

Empresas que ainda não atentaram para as vantagens da análise de dados estão perdendo (muito) tempo

Por Fábio Rios

big data

Vivemos uma realidade em que o Big Data está disseminado em empresas do mundo todo. Uma pesquisa recente da consultoria Gartner mostra isso. A empresa entrevistou representantes de cerca de 200 companhias de diversos segmentos. Os resultados apontaram que quase metade (48%) das organizações investiram em Big Data em 2016, representando um aumento de 3% em comparação com 2015, Por outro lado, o índice de companhias com intenção de investir em Big Data dentro dos próximos dois anos caiu de 30% em 2015 para 25% na pesquisa feita agora.

A grande questão, segundo Nick Heudecker, diretor de pesquisa do Gartner, não tem muito a ver com os grandes dados em si, mas em como eles são utilizados. Enquanto as empresas já entenderam que falar em Big Data não é falar apenas de uma tecnologia específica, elas precisam evitar pensar em Big Data como um esforço de análises à parte.  Afinal, trata-se de um conjunto de diferentes tecnologias e práticas de gerenciamento de dados que apoiam vários tipos e usos de analytics. Ou seja, as empresas estão passando das noções vagas sobre dados e análises para problemas específicos do negócio. E, claro, como esses dados podem trazer resultados mais efetivos.

Considerando-se que a principal utilidade do Big Data é permitir a análise do imenso volume de dados disponíveis transformando-os em informações realmente úteis para o negócio, é importante que as companhias saibam como agregar inteligência a essa massa de informações para que possam desfrutar das análises de cenários e aperfeiçoar seu planejamento estratégico.

Abaixo, compilei uma série de tendências na aplicação de Big Data que devem solidificar ainda mais nos próximos anos:

Simplificação: análises também serão feitas por pessoas das áreas de negócios (fora da TI)
As tomadas de decisão baseadas na análise de dados já não precisam ser feitas exclusivamente a partir da sugestão dos cientistas de dados e equipe de TI. É claro que as estatísticas mais complexas ainda estão limitadas aos especialistas. Mas cada vez mais surgirão soluções para facilitar a captura, organização e exploração de dados, permitindo que outros profissionais também consigam analisar, cruzar e combinar dados a fim alcançar resultados satisfatórios para o negócio.

Investimento na ciência e em laboratórios práticos
Considerando que as análises mais complexas seguem sob a responsabilidade dos cientistas de dados, tende a ser cada vez mais comum que as empresas, especialmente as mais consolidadas no mercado, passem a investir em laboratórios e profissionais especialistas nessas análises. Os bancos e as seguradoras, por exemplo, podem usar essas informações para avaliar os riscos de um empréstimo ou elevar a proteção contra fraudes de uma maneira ainda mais eficiente.

Inteligência artificial + Big Data
A publicação científica MIT Technology Review, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), anunciou um protótipo de inteligência artificial chamado Deep Learning que está sendo desenvolvido com a finalidade de simular a rede de neurônios do ser humano. Dessa forma, será possível que o computador consiga interpretar sentimentos ou sensações humanas a partir da análise de dados disponíveis no ambiente on-line, como no caso das mídias sociais. A ideia é que se possa antever o comportamento da pessoa a partir desta análise, até antes da postagem de uma informação em texto mais específica, o que tornaria possível, por exemplo, prever o comportamento humano inclusive para evitar um ataque terrorista.

Big Data na nuvem
Considerando que o volume de dados disponibilizados em rede é imenso e que a captação e a análise dessas informações exigem um alto investimento por parte das empresas, já existem organizações estudando colocar a sua estrutura de Big Data na nuvem. Esse projeto pode tirar a responsabilidade da empresa de ter uma boa estrutura para comportar os dados, o que deve resultar em redução de custos e uma maior flexibilidade na hora de analisar todas essas informações. Detecção de fraudes, Internet das Coisas (IoT), análise de sequência de cliques, entre outros, são exemplos de aplicações de Big Data que podem ser criadas e implantadas via soluções em nuvem.

Smart cities                                   

O Big Data pode facilitar o dia a dia dos cidadãos de muitas cidades pelo mundo afora. O termo smart cities, ou cidades inteligentes, está ganhando cada vez mais força. Essa denominação está relacionada aos municípios que começaram a usar o Big Data para coletar os dados gerados pela população para organizá-los e utilizá-los em análises a fim de alimentar os órgãos do governo com informações importantes para o funcionamento da cidade, envolvendo itens como trânsito, esgoto e clima.

Por mais que o uso do Big Data para o melhoramento da rotina nas cidades ainda esteja no início, podendo ser otimizado, já existem exemplos do uso dessa tecnologia, como é o caso de Londres, no Reino Unido. Por lá, a administração do transporte público usa o Big Data para cruzar os dados captados nas catracas eletrônicas com as informações disponibilizadas nos aplicativos de pagamento das tarifas. Dessa forma, é possível verificar os hábitos de transporte da população para, assim, determinar, entre outros aspectos, os melhores horários para realizar manutenções nos equipamentos ou a necessidade de alterar algumas rotas.

Outro exemplo é o da cidade de Barcelona, na Catalunha. A partir dos seus smartphones, os moradores e também os turistas lançam os dados que permitem identificar onde e quando o fluxo de pessoas está aumentando. A partir da coleta e análise dessa massa de informações, o governo pode investir em ações como o aumento do policiamento em determinadas regiões ou em determinados horários com muito mais assertividade. Além disso, é possível entender os padrões de estacionamento na cidade para que seja viável atuar em melhorias de mobilidade urbana.

Big Data e privacidade
Segundo o Gartner, até 2018, 50% das brechas e violações de ética empresarial estarão ligadas aos dados. O desafio à segurança dos dados terá de ser enfrentado com mais e melhores controles e procedimentos voltados à privacidade. Inclusive porque os usuários exigiram isso.

Com o passar do tempo poderemos ver o que e como se tornará, de fato, realidade. Mas uma coisa é certa: o Big Data deve continuar a se popularizar e crescer, sendo cada vez mais utilizado, revisto, reformulado e aperfeiçoado. E o recado claro é que companhias que ainda não atentaram para esse conjunto de tecnologias e suas múltiplas funções e vantagens, estão perdendo (muito) tempo.

E a sua empresa já está aplicando ou pronta para fazer uso do Big Data e suas soluções de negócios?



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