Uma agenda para a indústria

Na visão de Flávio Castelo Branco, da CNI, há oportunidade para definir estratégias de longo prazo

Por Flávio Castelo Branco*

Uma agenda para a indústria

Nos últimos anos, o Brasil cresceu muito pouco e a indústria ficou estagnada. A situação é inaceitável e precisa ser revertida. Para isso, no entanto, temos de lidar simultaneamente com dois desafios. Um deles é o ajuste macroeconômico que aí está. É indispensável reorganizar as contas públicas para criar o ambiente de confiança e estabilidade econômica necessários ao retorno do investimento. Esse desafio precisa ser encarado com determinação e perseverança, já que os custos do ajustamento não são módicos.

É preciso ter consciência das dificuldades desse período de travessia. Os próximos meses devem ser de mais dificuldades: há ciclo de elevação dos juros, o ajuste fiscal, a alta da inflação e certa piora no mercado de trabalho. A reorganização é inevitável. O segundo desafio exige uma revisão da estratégia de longo prazo. Ele contempla a implementação da agenda do crescimento, com a elevação da competitividade e melhoria do ambiente de negócios para o investimento privado. A crise internacional explica parte da perda de ritmo da indústria brasileira, mas não é causa única das dificuldades. A recessão atual da indústria ocorre, principalmente, em função da perda de competitividade e do foco apenas no mercado doméstico como alavanca do crescimento. Nesse sentido, é crucial definir uma estratégia exportadora, com a ampliação de mercados e com a melhoria das condições gerais de competitividade da economia brasileira. É necessário, ainda, considerar o mercado externo e estimular o crescimento das exportações, com a integração de nossas empresas nas cadeias globais de valor.

A grande oportunidade deste ano está na expansão das vendas externas de maior valor agregado. O crescimento deve se iniciar com a mudança no patamar do câmbio e com o crescimento do mercado norte-americano, nosso principal destino de produtos manufaturados. Isso será possível com o arrefecimento do superciclo das commodities, que havia deslocado o eixo dinâmico para a Ásia. A ampliação sustentada da competitividade brasileira, contudo, exige também a elevação da taxa de investimento – que permanece mais baixa que a de outros países emergentes, inclusive da América Latina.

É nesse ambiente que se insere o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, desenvolvido pela CNI. Trata-se de uma agenda da indústria brasileira para que o país cresça mais. O foco das ações é a elevação da competitividade, que exige atuação em seus fatores determinantes. O principal deles, sem dúvida, é a produtividade. As ações para aumentar a produtividade têm origem em duas fontes: na empresa, fruto da estratégia e de ações na operação e gestão; e no ambiente externo, a sua  operação.

A CNI elaborou 42 propostas que vão desde a criação de um “sistema de governança para a competitividade” até ações de desburocratização, melhoria do sistema tributário, redução do custo do investimento, definição de eixos logísticos prioritários, inovação e outras. Todas têm foco no estímulo à competitividade e ao investimento. Apenas assim haverá o aumento da produtividade e a redução dos custos necessários para recolocar o produto manufaturado brasileiro nos mercados internacionais. O Brasil perdeu um pouco seu rumo, com muitas ações de curto prazo e sem uma estratégia definida. É necessária uma ampla correção de rota para recolocar a indústria na vanguarda do crescimento. O elemento crítico é o investimento privado: sem ele, o novo ciclo de expansão não ocorrerá.

*Gerente executivo de Política Econômica da CNI


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