Novos prefeitos são desafiados pela crise econômica

Redução de CCs foi uma das medidas anunciadas pelos gestores do Sul

Da Redação

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Nelson Marchezan Jr. toma posse como prefeito de Porto Alegre

Enfrentar a crise econômica é o principal desafio para os prefeitos que tomaram posse neste domingo (1º). Assim como governos estaduais, prefeituras brasileiras vivem situações de penúria. A Confederação Nacional de Municípios (CMN) prevê que 2017 será ainda pior que os últimos anos. A maioria das cidades filiadas à confederação está no vermelho. Não é possível estimar o total que as prefeituras devem, mas só a dívida previdenciária dos mais de 5 mil municípios brasileiros já chega a R$ 100 bilhões. De acordo com a CMN, a conta com precatórios gira em torno de R$ 80 bilhões. E também existem débitos com servidores e fornecedores. Não sem razão, palavras como ajuste fiscal e eficiência na gestão pública marcaram os discursos de posse dos novos prefeitos. Alguns deles reclamaram da situação que receberam as contas municipais e já anunciaram ações para ajustar as finanças.

Rafael Greca assumiu o cargo de prefeito de Curitiba e na volta fez um discurso que começou homenageando o Poder Legislativo. Em seguida, anunciou algumas das medidas que deve tomar já nos próximos dias. O novo prefeito deve enxugar a máquina pública em 40% e reduzir os cargos comissionados na administração municipal. Greca não detalhou onde serão feitos esses cortes e nem quando a redução será implementada, mas criticou o uso desses cargos. Atualmente, a prefeitura de Curitiba tem 631 cargos em comissão, incluindo os secretários municipais. Os cargos ocupados equivalem a 1,3% do total de servidores concursados do município. Entre as propostas de Marcelo Belinati, prefeito de Londrina (PR), estão a gestão pública moderna, eficiente e transparente, que tenha foco nos cidadãos, e o planejamento territorial regional e integrado,  com ênfase no zoneamento ecológico econômico.

O novo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (foto) admitiu que existe a possibilidade do atraso de pagamento de salários do funcionalismo. "Se o prefeito que sai, além de atrasar os salários e ter de adiantar as receitas deste ano, é evidente que há um grande risco de que, sem as receitas de IPTU e com as dificuldades que se apresentam, somadas às despesas pendentes, existe a chance de atrasar os salários", declarou. Marchezan Jr. garantiu que adotará medidas duras para combater a crise nas finanças. Os secretários, por exemplo, terão de fazer um pente-fino nos contratos de cada área — entre eles os que envolvem carros alugados. Segundo estimativas, a locação de automóveis custa mais de R$ 30 milhões por ano para os cofres da prefeitura. Daniel Guerra, prefeito de Caxias do Sul (RS), prometeu um projeto para extinguir 50% da verba de representação dos cargos em comissão (CCs), além de cortar pela metade as nomeações de CCs. 

Gean Loureiro, novo prefeito de Florianópolis, sublinhou a importância da participação comunitária em seu governo. “E quando falo comunitária, é o setor empresarial, são os conselhos comunitários de segurança, são os conselhos locais de saúde, são as associações de moradores, as lideranças comunitárias aqui presentes, que vão auxiliar, apoiando, participando", disse em seu discurso. Udo Döhler, que se reelegeu prefeito de Joinville (SC), fez questão de destacar a transparência e o respeito ao dinheiro público. O prefeito afirmou que quer acabar com a corrupção no serviço público até o final do mandato. Ele pediu união para que a cidade supere os momentos de crise e desemprego. “Tenho certeza de que vamos superar a crise, honrar nosso compromisso de pagamento de salário dos servidores e garantia de atendimento de qualidade”, prometeu. “Teremos um mandato muito trabalhoso, especialmente com esse ano de 2017, em que o País anda passando por uma dificuldade política bastante complicada e isso tem abatido nossa economia. A expectativa é de que só a partir de meados deste ano nós vamos encontrar os primeiros momentos de recuperação econômica do País. Isso significa que teremos que adotar uma gestão bastante austera e o fazemos desde o nosso primeiro dia de trabalho”, garantiu Döhler em entrevista ao jornal A Notícia, de Joinville. 


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