Baixo crescimento marcará economia no próximo ano

País terá de superar pendências políticas antes de voltar a crescer

Por Agência Brasil

Plenário do Senado vazio

Um início de recuperação em meio a um crescimento tímido e a dificuldades no cenário internacional. Para especialistas, as perspectivas para a economia para o próximo ano indicam leve melhora em relação a 2016, mas apontam para um caminho cheio de percalços rumo à retomada da produção e do consumo. Segundo eles, o quadro político também retarda a recuperação do PIB. Na visão dos economistas, o país precisa superar as pendências políticas antes de voltar a crescer, mas essa é apenas uma parte da solução. 

Para a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Virene Matesco, o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) crescerá no máximo 0,5% em 2017. Ela afirma que somente quando consumidores e empresários readquirirem a confiança, a economia começará a ganhar um novo fôlego. “A recuperação da economia depende fundamentalmente de dois fatores: a superação da crise política e a aprovação de medidas que sinalizem algum compromisso do governo com as contas públicas. Somente aí o país poderá começar a se reorganizar. O Congresso é como um trator que vai tirar o carro atolado, que é o Brasil. Só que o trator está quebrado”, compara Virene. 

Segundo ela, mesmo a aprovação da reforma da Previdência será apenas uma indicação para o mercado e os investidores. Isso porque tanto a revisão no regime de aposentadorias e pensões como a Emenda Constitucional que cria um teto para o gasto público terão impacto sobre as contas do governo apenas no médio e no longo prazos. “Como os déficits nas contas públicas continuarão persistindo, existe a possibilidade de o governo aumentar impostos para elevar a receita”, conjectura. 

André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, concorda com os reflexos da política sobre a economia. “Para mim, a crise atual é fundamentalmente política. Será que os investidores continuarão dispostos a investir no Brasil vendo o que está acontecendo aqui?”, questiona. Perfeito tem uma estimativa mais pessimista para o crescimento da economia no próximo ano: 0,2%. Na visão dele, o resultado poderia ser melhor se o governo ampliasse o déficit primário da União, estimado em R$ 139 bilhões, para estimular o desenvolvimento. “Um aumento de gastos seria válido se fosse temporário e feito com transparência, mas não existe espaço político para isso, até por causa dos erros dos governos anteriores com esse tipo de medida”, explica. O economista também atribui parte das dificuldades de recuperação da economia ao cenário internacional, principalmente após a indicação do Federal Reserve (Banco Central norte-americano) de que poderá aumentar os juros da maior economia do planeta até três vezes no próximo ano. Tudo para conter os efeitos dos cortes de impostos e da expansão dos gastos públicos do futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Indústria
As entidades do setor produtivo também não revelam projeções otimistas para a economia no próximo ano. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima crescimento de 0,5% para o PIB, com expansão de 1,3% na indústria. Para a confederação, o investimento deve crescer 2,3% em 2017 depois de cair 11,2% este ano. Na visão de Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da CNI, a ociosidade das indústrias, que estão com grandes estoques acumulados, e as dificuldades financeiras das famílias e das empresas dificultam a retomada do crescimento. Segundo ele, somente quando o endividamento diminuir, o consumo e a produção terão condições de reagir. “Quando as empresas geram empregos, giram a economia, aumentando investimentos, salários, consumo e produção”, explicou Castelo Branco durante a divulgação das estimativas da entidade para a economia em 2017 no último dia 13. Porém, a aceleração das reformas da Previdência e trabalhista e a diminuição dos desequilíbrios nas contas públicas são importantes para que o país volte a crescer.


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