Para industriais do Sul, medidas trabalhistas inserem o Brasil no mundo

Minirreforma, na qual negociação entre empresas e funcionários é privilegiada, gerou notas de apoio da Fiergs e da Fiesc

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Linha fabril de indústria catarinense

O plano que estabelece, entre outras medidas, que os acordos ou convenções coletivas terão força de lei (leia mais detalhes aqui), é avaliado como positivo pelas federações de indústrias da região Sul. Os dirigentes das entidades sublinham, inclusive, que a mudança faz com que o Brasil se alinhe às normas já seguidas em outros países. “É um avanço, pois a flexibilidade cria melhores condições no relacionamento entre empregado e empregador”, opina Glauco José Côrte, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).  

Ao comentar as mudanças propostas, Heitor Müller, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), recordou de um fato presenciado por ele. “Pela lei, três funcionários meus não tinham direito de reduzir em 15 minutos a hora do almoço. Se pudessem, isso ajudaria a fazer com que não precisassem correr até o ônibus que os levava para a faculdade depois do expediente”, contou ao analisar as propostas para a compensação da jornada de trabalho. Müller louvou o fato de, agora, os empresários terem a oportunidade da negociação. “Como atuamos com todas as classes de pessoas, tem de haver essa negociação. Há pais de família que preferem cumprir a jornada semanal em menos dias”, exemplificou. 

A indústria também apoia a decisão de prorrogar o agora denominado Programa Seguro-Emprego (PSE). O mecanismo, que permite reduzir jornada e salários em momentos de adversidade econômica, preserva o poder de compra de parte dos trabalhadores e estimula a retenção de profissionais qualificados pelas empresas.Na visão de Côrte, a redução da burocracia trabalhista ajudará a gerar uma expectativa positiva, mas não vai acelerar o retorno das admissões. “A retomada dependerá do crescimento da economia que, por sua vez, depende do retorno da confiança que é a bala de prata para a volta da geração de empregos”, argumenta Côrte. 

Até o fechamento desta reportagem, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) não havia se pronunciado oficialmente sobre o tema. 


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