Bento Gonçalves: um retrato da economia brasileira

CIC-BG e UCS prenunciam retomada lenta a partir de 2017

Da Redação

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Vista da cidade de Bento Gonçalves (RS)

Um recente estudo, desenvolvido pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), revela como uma cidade sente os reflexos da retração econômica nacional. A pesquisa revela que as empresas tiveram redução de 11,5% no faturamento em 2015. 

Quando colocado lado a lado com os índices dos PIBs do Rio Grande do Sul e do país – que tiveram baixas respectivas de 3,4% e 3,8% no mesmo período – o número é ainda mais alarmante. A Indústria local foi a mais atingida, com uma diminuição de 13,3%; seguida do Comércio, com 11%; e dos Serviços, com 4,4%. “Em termos reais, a queda de faturamento de 2015 fez com que voltássemos ao patamar de 2009. Sem dúvida, isso repercutiu e vem influenciando na capacidade de investimento das empresas, por envolver uma conjunção de queda das vendas com encarecimento do crédito. Tal ocorrência se deu também em outras cidades com setores industriais fortes, mas, na comparação com municípios com características econômicas semelhantes, Bento apresentou melhor desempenho”, destaca Fabiano Larentis, integrante da equipe que coordenou a pesquisa. 

Embora sejam traçadas perspectivas de melhoras para o ano que vem, a retomada da condição de crescimento verificada em 2014 não deve ser uma realidade a curto prazo. “Somos uma economia bastante dependente do cenário nacional. Identificou-se, em outras edições da pesquisa, que, de maneira geral, o crescimento do município acompanha o nacional. Com isso, considerando estimativas macro, é possível afirmar que começaremos a recuperar as perdas somente em 2017 e voltaremos ao patamar de 2014 apenas em 2021”, projeta Larentis. Em meio a um contexto preocupante, o destaque positivo de 2015 ficou para o setor vinícola, o único dos segmentos industriais analisados a apresentar um crescimento real, que chegou a 1,7%. 

Potencial empreendedor
Por mais que o horizonte ainda seja de incertezas, inclusive no que se refere ao ano de 2016 e, possivelmente, no primeiro semestre de 2017, a tradição empreendedora de Bento Gonçalves (foto) e a solidez de muitos segmentos de sua economia – conquistada ao longo das últimas décadas – são elementos que permitem um olhar otimista para a busca da recuperação. “Não há dúvidas de que enfrentamos um momento extremamente delicado para a nossa economia. Os dados de 2015 nos permitem ver com mais clareza o quanto a crise nos afetou e ainda afeta. O mais importante, entretanto, é o que faremos com essas informações daqui para frente, pois devemos avaliar profundamente cada um destes índices e, a partir disso, focar em alternativas que nos ajudem a voltar a crescer”, ressalta Laudir Piccoli, presidente do CIC-BG.

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