Federasul vê 2017 com otimismo cauteloso

Para a entidade, o maior dos desafios será a retomada da confiança

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Simone Leite, presidente da Federasul

O Brasil viverá um 2017 de recuperação, ainda bastante gradual, dentro de um ambiente em que o governo continuará atuando para controlar a condição fiscal. Essa é uma das previsões feitas pela Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), em seu tradicional encontro de balanço e perspectivas realizado nesta quarta-feira (15), em Porto Alegre. O maior dos desafios, segundo a entidade, será a retomada da confiança. “O silêncio e a omissão da classe produtora causou a crise atual, pois os empresários ficaram atrás de suas mesas de trabalho, preocupados apenas com seus negócios”, critica Simone Leite (foto) que preside a Federasul desde maio. 

Uma das provas de como falta de confiança afeta os negócios é a percepção do empresário quanto ao futuro. A Federasul realizou uma pesquisa com 110 empreendedores de micro, pequenas e médias empresas do comércio, da indústria e do setor de serviços. Do total de entrevistados, 37% afirmaram ter oportunidade para expandir e contratar mais pessoas, mas não o fazem em função das incertezas. Já 27% dos industriais entendem que o aumento de ICMS e a elevada carga tributária foram determinantes para o fechamento de empresas. 

Hoje, a entidade projeta um dólar ao redor de R$ 3,40 em dezembro do próximo ano, com a inflação na faixa de 5%. Isso abrirá espaço para a redução da taxa de juros (10,75% ao final de 2017, na estimativa da entidade).  A diminuição da Selic deverá trazer uma retomada à economia. A estimativa da Federasul é algo como 0,2% de crescimento, com potencial de atingir 2% em 2018. “Ainda que tudo se encaminhe corretamente [com o envio e aprovação das demais reformas], teremos um pico de desemprego até maio”, afirma Fernando Marchet, economista da Federação. Os indicadores já levam em conta os desdobramentos da delação dos executivos da Odebrecht no campo político. “Não dá para botar todo político e todo empresário na mesma cesta”, opina Simone, ao lembrar que as associações de classe empresariais são refúgios da moralidade.

PIB gaúcho
A dinâmica no Rio Grande do Sul deverá ser muito semelhante à do Brasil. Ainda que o setor de serviços siga estagnado e a indústria cresça em patamares modestos (ao redor de 0,5%), a economia gaúcha será sustentada pelo agronegócio, que deve ter um ano vigoroso (3%). Esse cenário permitirá que o PIB do Estado cresça algo próximo a 1% em 2017, segundo a entidade. 

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