BNDES vai ampliar crédito para micro e pequenas empresas

O impacto esperado é de um aumento de 20% nos desembolsos

Por Agência Brasil

BNDES vai ampliar crédito para micro e pequenas empresas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira (13) um conjunto de medidas para simplificar, agilizar e ampliar o acesso ao crédito das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Segundo a instituição, o plano visa à indução da retomada do crescimento econômico e à manutenção e geração de emprego e renda. O impacto esperado é de um aumento de 20% nos desembolsos para o segmento, um acréscimo de R$ 5,4 bilhões até o fim de 2017. O BNDES desembolsou, de janeiro a outubro deste ano, R$ 21,9 bilhões para as MPMEs. O valor representa 31,8% de tudo o que o banco liberou no período e corresponde a 489.683 operações, ou 95,7% de todas as operações feitas pela instituição no período.

O diretor da área de operações indiretas do BNDES, Ricardo Ramos, afirmou que as MPMEs têm sofrido com a crise econômica. “Esse perfil de empresa é a que tem maior possibilidade de gerar empregos. A ação do banco de ampliar o acesso ao crédito é colocar os recursos para um público em que o retorno social é grande”, declarou Ramos. Para facilitar a aquisição de itens necessários às atividades produtivas das micro, pequenas e médias empresas, o banco aumentará o limite máximo do Cartão BNDES de R$ 1 milhão para R$ 2 milhões a partir de janeiro de 2017. O produto, que é uma linha de crédito rotativa e pré-aprovada, com pagamento em até 48 prestações mensais fixas, poderá ser obtido pelas MPMEs com receita de até R$ 300 milhões.

Entre as ações com previsão de implantação no primeiro trimestre de 2017, o BNDES ampliará de R$ 90 milhões para R$ 300 milhões o limite para enquadramento das micro, pequenas e médias empresas. Com essa mudança, o banco prevê que, no próximo ano, cerca de 1,5 mil novas empresas poderão obter financiamentos da instituição com melhores condições. Os programas BNDES Finame, BNDES Automático e BNDES Finem financiarão até 80% em Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 7,5% ao ano os projetos de investimento e compra de máquinas e equipamentos para as MPMEs. Essa é a condição de crédito mais favorável do banco. Anteriormente, esse percentual variava entre 50% e 80%, dependendo do programa. Segundo o banco, os financiamentos contratados para as MPMEs por meio do BNDES Finame terão prazo máximo de pagamento de 5 para até 10 anos para a aquisição de máquinas e equipamentos.

Para implantação a partir do segundo semestre de 2017, o plano é simplificar todas as linhas de crédito em uma plataforma tecnológica integrada, para que a maior parte das contratações seja realizada de forma totalmente automática, diminuindo, assim, os custos de transação. A meta é reduzir, até o fim de 2018, de 30 dias para 2 dias úteis, o tempo de aprovação das operações de crédito do banco.

Repercussão
A medida é uma antiga demanda dos empresários que foi reforçada na pauta apresentada no dia 7 de dezembro, na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), para o representante do governo federal e para Lucas Linhares, assessor da superintendência de Indústria e Serviço do BNDES. Para o presidente da Fiergs, Heitor José Müller, a alteração significa uma importante equalização para as empresas, já que a classificação de porte de anteriormente adotada pelo BNDES vigorava desde março de 2010. Ele lembra que, ao longo destes últimos anos, principalmente em 2015 e 2016, significativos reflexos inflacionários acumularam-se, além de outras variações econômicas, uma situação que vinha acarretando a inibição da continuidade de projetos de investimentos e a queda do índice de confiança dos empresários, condições fundamentais para a retomada de crescimento do país. 


leia também

A superfície e as profundezas da economia - Retomada poderá ser difícil dada a situação financeira empresarial

Anefac: juros sobem pelo 16º mês seguido - Bancos elevam taxas para compensar aumento da inadimplência

Badesul instala sindicância interna - Irregularidades na liberação de recursos serão investigadas

Bancos não poderão cobrar juros de mercado por atrasos em pagamentos - Para o BC, exigência trará mais uniformidade às operações de crédito e tornará as regras mais claras para os clientes

Bancos se unem para criar empresa de análise de crédito - BB, Bradesco, CEF, Itaú e Santander trocarão dados de clientes

BC aprova plano de recuperação do Badesul - Agência gaúcha de fomento venderá operações em prejuízo

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: