Fiergs projeta um 2017 melhor, mas não empolgante

Crescimento será determinado pela recuperação dos investimentos

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

André Nunes e Heitor Müller apresentam projeções da Fiergs para a economia brasileira em 2017

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) engrossou o coro das instituições que projetam uma gradual recuperação do país no próximo ano. O cenário básico para 2017 considera que a economia brasileira se estabilizará já nos dois primeiros trimestres e apresentará um pequeno crescimento de 0,5% sobre uma base de comparação deprimida em 2016 (veja os três cenários apresentados pela Fiergs na tabela ao final desta matéria). A entidade espera, ainda, que a inflação (5,5%) fique mais próxima da meta e que os juros se mantenham em queda, recuando para 11,5% ao ano. 

No panorama positivo, o crescimento será determinado pela recuperação acima do esperado dos investimentos e da demanda interna. “Até pode ser que sejamos surpreendidos nesse indicador de consumo, tendo em vista que não é possível medir quanta demanda está reprimida após dois, três anos de forte recessão”, antevê André Nunes de Nunes (na foto, à esquerda), economista-chefe da Fiergs.

No cenário negativo, o PIB teria uma nova queda em 2017, que poderia chegar a 2% – ou até mais, caso as reformas enviadas para o Congresso entrem em compasso de espera diante da crise política, agravada esta semana com o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. “Isso pode mexer com as expectativas e fazer com que, por exemplo, a taxa de juros não caia tanto e o investimento estrangeiro demore mais para vir”, opina Nunes. A cena política também preocupa Heitor Müller (na foto, à direita), presidente da Fiergs, tendo em vista que o mercado já começa a cogitar até mesma hipótese de que Temer não conclua o mandato. “Não podemos especular, fazer previsões, diante deste imenso problema que temos atualmente no Brasil. Essa incerteza faz agigantar a dificuldade econômica. E, desse modo, só vai restar ao empresário cuidar do seu próprio tacho”, lamentou Müller. 

O tradicional encontro com jornalistas também serviu para Müller cobrar um posição mais enérgica do poder público. “O governo deveria aprender com as empresas privadas a trabalhar com a satisfação do cliente, pois o Estado não tem conseguido agradar a sociedade, seu principal cliente. Nos cobram acessibilidade para pessoas com deficiência, mas vejam se prédios públicos oferecem isso. O software para rodar o Bloco K custa R$ 600 mil. Certas indústrias não têm condições de pagar. Não se pode exigir tudo ao mesmo tempo, pois falta tempo e dinheiro para dar conta de todas as burocracias”, reclama o presidente da Fiergs, que em julho de 2017 passará o comando da entidade para Gilberto Petry. Heitor Müller também lembrou o fato de que o Rio Grande do Sul chegou ao atual estado de calamidade financeira por não ter oferecido o banco [Banrisul] em troca da dívida com a União. “Apenas o governo gaúcho e o piauiense optaram por permanecer como acionistas controladores de seus bancos públicos”, criticou. 

Os três panoramas previstos pela Fiergs para 2017

Indicador

Cenário Superior

Cenário Base

Cenário Inferior

PIB

1,70%

0,50%

(2,00)

Inflação

7,30%

5,50%

3,60%

Selic

13,75%

11,5%

9,75%

Dólar

R$ 3,05

R$ 3,40

R$ 4,00



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