Fecomércio-RS: otimismo cauteloso com o ano de 2017

Para Luiz Carlos Bohn, juros mais baixos podem animar o crédito

Por Dirceu Chirivino

dirceu@amanha.com.br

Para Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS, juros mais baixos podem animar o crédito

A Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) está cautelosamente otimista em relação a 2017. A previsão é de que o Rio Grande do Sul e o Brasil vão, paulatinamente, superar a crise econômica e entrar em uma rota de desenvolvimento a partir do próximo ano. A projeção da entidade é de que o crescimento do PIB seja de 0,8% no país. A economia gaúcha deve avançar 1%. O setor terciário deve apresentar recuperação com a perspectiva de queda da inflação (4,8%) e dos juros (10,5%). “Inflação e juros mais baixos automaticamente reduzem a perda de renda real e animam o crédito. Esses são fatores muito positivos para o setor”, destaca Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS.

A agropecuária deverá ter um peso importante nesse processo de retomada, com a projeção de uma safra recorde de 213 milhões de toneladas, crescimento de 13,5% sobre 2016. “O desempenho do campo é fundamental para a melhora dos níveis macroeconômicos”, pontua Bohn. Outros indicadores que completam o cenário para 2017 são a cotação do dólar, com previsão de R$ 3,70 e crescimento do setor de comércio (1,8%) e serviços (1,4%) no Rio Grande do Sul.

Balanço de 2016
O ano de 2016 se encerra com dados negativos para o setor do comércio de bens, serviços e turismo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Com isso, são dois anos consecutivos de recessão com recuo no volume de vendas, especialmente no segmento de comércio, que no Rio Grande do Sul apresenta taxa de crescimento negativo (-10,4%) em relação a 2015. No Brasil, na mesma base de comparação, o segmento caiu 9,2%.

Dentre os que compõem as atividades do comércio, os piores indicadores foram verificados naqueles que dependem de crédito e nos que comercializam produtos considerados não essenciais, caso do setor de veículos, motos, partes e peças, que recuou 23,5%.  No setor de serviços, cujas quedas nas vendas foram menores em relação ao comércio, a taxa de crescimento acumulada no ano é de uma retração de 2,6% no Rio Grande do Sul e de 2,7% no Brasil. O setor com melhor desempenho no âmbito dos serviços foi o de tecnologia da informação e comunicação, com recuo de 1,5%. “O empresário ligado ao setor terciário vem lutando para vencer a recessão. Quando vendemos mais, pagamos mais impostos e geramos mais empregos”, destaca Bohn. 

O elevado nível de endividamento das famílias, as restrições de crédito (em termos de prazos e taxas de juros aplicadas), o desemprego que atinge quase 13 milhões de brasileiros e a inflação em patamar elevado foram os principais responsáveis por esse desempenho do setor terciário como um todo. O cenário ainda é de forte recessão, mas com indicativos de inflação em queda. Pode-se dizer que a recessão atual é a mais longa desde que começaram a existir os dados trimestrais do PIB, em 1991. Após uma previsão negativa para a economia brasileira na casa de 5,4%, o ano se encerra com uma estimativa de queda próxima de 3%. Para efeitos de comparação, em dezembro de 2015 a Fecomércio-RS projetava um crescimento negativo do PIB nacional e gaúcho de 2%.

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