Projeto sobre abuso de autoridade poderá sair da pauta

Manifestações contrárias à atuação de políticos para barrar a Operação Lava Jato motivam a discussão

Da Redação, com Agência Brasil

redacao@amanha.com.br

Manifestações pelo país defendem a Operação Lava Jato

Os políticos estão reavaliando a real necessidade de colocar em pauta a votação do projeto da lei de abuso de autoridade. A discussão está sendo motivada após as manifestações de domingo (leia mais detalhes abaixo) que tiveram como foco o incentivo para que a Operação Lava Jato continue. A matéria poderá sair da pauta de votação do plenário do Senado na terça-feira (6), 

O calendário de apreciação do projeto havia sido anunciado há três semanas por Renan Calheiros, um dos principais alvos dos protestos juntamente com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A tendência é de que a pressão pública retire a proposta de lei de abuso de autoridade da lista de prioridades de votação. O Planalto considera que as manifestações não prejudicarão as reformas e que Renan está comprometido com a agenda de recuperação econômica. 

Protestos pelo país

Com a segurança reforçada, milhares de pessoas vestidas de verde e amarelo e empunhando bandeiras do Brasil se reuniram neste domingo (4) em cerca de 80 cidades, de acordo com os organizadores, entre elas Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. No Sul, também foram registradas manifestações. O protesto é em defesa da Operação Lava Jato e contra o pacote de medidas anticorrupção aprovado com modificações pela Câmara dos Deputados na madrugada do dia 30 de novembro. Os manifestantes também portaram faixas em apoio à Lava Jato e a Sérgio Moro, juiz federal responsável pela condução dos processos decorrentes da operação. Na última quinta-feira (1), o Supremo Tribunal Federal decidiu aceitar denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente do Senado, pelo crime de peculato, tornando-o réu. Calheiros e Rodrigo Maia foram dois dos principais alvos das manifestações.

Sul
Cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), se reuniram na frente e nas adjacências da sede da Justiça Federal em Curitiba. Para os organizadores do ato, o número de participantes chega a 40 mil ao longo do dia. Um caminhão de som foi instalado em frente ao prédio da Justiça, no bairro Ahú, de onde despacha o juiz Sérgio Moro, encarregado pelos processos da Lava Jato na primeira instância. No microfone se revezam organizadores de movimentos favoráveis à Lava Jato e dirigentes do G7 do Paraná - como a Federação das Indústrias (Fiep) e Associação Comercial (ACP). 

Em Florianópolis, manifestantes começaram a se reunir no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte e percorreram uma das faixas da Avenida Beira-Mar Norte, em direção aos bairros. Conforme a organização, cerca de 10 mil pessoas estavam no local. A PM não informou números de manifestantes. Em Joinville, a manifestação foi na Praça da Bandeira. No ínicio do ato, houve um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente áereo com a delegação da Chapecoense. PM e manifestantes informaram o mesmo balanço final de participantes: cerca de mil pessoas. Em Blumenau, o protesto se concentrou na prefeitura do município. Os organizadores informaram 12 mil pessoas. A Polícia Militar, no entanto, não divulgará estatísticas.

Já em Porto Alegre centenas de pessoas protestaram. As pessoas se reuniram na avenida Goethe, no bairro Moinhos de Vento. Os manifestantes fizeram discursos à favor da Operação Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, além de pedirem a saída de Renan Calheiros. Eles ainda protestaram contra as alterações aprovadas no Projeto de Lei Anticorrupção pela Câmara dos Deputados. A Brigada Militar e o movimento Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL) ainda não divulgaram estimativas do número de manifestantes presentes no ato.

Planalto
O Palácio do Planalto afirmou respeitar as manifestações ocorridas em diversas cidades brasileiras de apoio à Operação Lava Jato e combate à corrupção. Por meio de nota à imprensa, o governo do presidente Michel Temer disse que os atos demonstraram novamente a “força e a vitalidade de nossa democracia” e lembrou a necessidade de o Poder Público atender as demandas da população. “Milhares de cidadãos expressaram suas ideias de forma pacífica e ordeira. Esse comportamento exemplar demonstra o respeito cívico que fortalece ainda mais nossas instituições. É preciso que os Poderes da República estejam sempre atentos às reivindicações da população brasileira”, destacou o Planalto, no comunicado.

Dois dos principais alvos dos protestos que ocorrem neste domingo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a Câmara dos Deputados divulgaram nota defendendo legitimidade das manifestações e afirmando respeitar os atos. Segundo Calheiros, o Senado Federal continua "permeável e sensível às demandas sociais". No comunicado, o senador lembra dos atos de 2013, quando milhões de pessoas foram às ruas. De acordo com ele, os senadores votaram 40 propostas contra a corrupção em menos de 20 dias, "entre elas a que agrava o crime de corrupção e o caracteriza como hediondo", afirmou. "O presidente do Senado entende que as manifestações são legítimas e, dentro da ordem, devem ser respeitadas", reitera o comunicado. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, divulgou uma nota em nome da instituição classificando os protestos como legítimos e democráticos. "Manifestações desse tipo, em caráter pacífico e ordeiro, servem para oxigenar nossa jovem democracia e fortalecem o compromisso do Poder Legislativo com o debate democrático e transparente de ideias", escreveu.


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