IBGE: PIB tem retração de 0,8% no terceiro trimestre

Até setembro, a economia recuou 4% em relação a igual período de 2015

Por Agência Brasil

IBGE: PIB cai 0,8 % no terceiro trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, fechou o terceiro trimestre do ano com queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior. Com isso, o país registra o sétimo trimestre seguido de retração da economia. Já no resultado acumulado do ano até setembro, o PIB apresentou recuo de 4% em relação a igual período de 2015, maior queda para este período desde o início da série em 1996.

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,580 trilhão. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais foram divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na análise dos subsetores da economia, a agricultura teve retração de 1,4% no período, a indústria caiu 1,3% e o setor de serviços registrou queda de 0,6%.

Os dados do IBGE mostram ainda que o consumo das famílias caiu 0,6% e o do governo, 0,3%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo, que são os investimentos, recuou 3,1%.

Investimentos
Os investimentos na economia, que são um importante indicador para a capacidade produtiva futura do país, continuam em queda e representam um dos principais fatores a puxar para baixo o PIB. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais mostram que, no terceiro trimestre, a Formação Bruta de Capital Fixo (que são os investimentos) recuou 3,1%. Nos últimos 12 meses, o índice acumulou queda de 13,5%.

“Vimos um recuo importante dos investimentos em função da queda nas importações de bens de capital (máquinas e equipamentos), o que tem a ver com as expectativas e com o aumento dos juros reais, o que reflete no crédito. E a gente continuou tendo desempenho negativo da construção civil, que também impacta negativamente nos investimentos”, avalia Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais do IBGE. Ela destacou que, no terceiro trimestre, os serviços também continuam puxando para baixo o PIB por seu grande peso na economia. “Os serviços relacionados à indústria tiveram as maiores quedas, as partes de transportes e comércio foram as maiores quedas dentro dos serviços”, relatou.

No caso do consumo das famílias, a retração nos últimos 12 meses alcançou 5,2%. “A gente continuou tendo indicadores ruins no mercado de trabalho, a inflação arrefeceu, mas continua alta, o crédito para pessoas físicas está apresentando taxas reais negativas, já que os juros continuam altos. Tudo isso afeta negativamente o consumo das famílias”, resumiu a pesquisadora. “Em 2014, a gente tinha a indústria em queda e os serviços e a agropecuária ainda subindo. O consumo das famílias também crescia e tem papel relevante no PIB. Em 2015, a queda se disseminou pela economia, mas a agropecuária ainda continuava com crescimento. Agora em 2016, todas as grandes atividades econômicas, tanto a agropecuária quanto a indústria e os serviços, estão em queda. A agropecuária foi influenciada pelas quebras de safra por causa do clima desfavorável”, ressaltou a coordenadora das Contas Nacionais.


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