O que os analistas acharam do resultado da Petrobras?

Mesmo após a divulgação do balanço, ainda há questões a serem respondidas

Por Infomoney*

O que os analistas acharam do resultado da Petrobras?

Em meio aos números impressionantes de impairment (desvalorização dos ativos) de R$ 44,3 bilhões e com perdas de R$ 6,2 bilhões na Operação Lava Jato, muitos investidores devem se perguntar o que significam os resultados da companhia e se há dados animadores atrás no prejuízo bilionário de R$ 21,6 bilhões da Petrobras (foto) em 2014. Segundo os analistas do BTG Pactual Gustavo Gattass, Andres Cardona e Julia Ozenda, mesmo após a divulgação dos números do ano passado (veja mais detalhes aqui), ainda há muitas questões para serem respondidas. A preocupação sobre o balanço continua, a despeito do Capex (despesas de capital ou investimento em bens de capital) bem abaixo do esperado, além das expectativas positivas de que o petróleo  pode voltar a US$ 90 o barril e da expectativa de paridade de preço dos combustíveis que poderá trazer "mais sofrimento à população brasileira". Segundo os analistas, a alavancagem da Petrobras pode cair para não mais do que 3,2 vezes até 2016 e não deve sofrer queda maior depois disso. Além disso, ainda há preocupação com a emissão de ações.

"Muitos sinais positivos estavam sendo enviados nos últimos dias. Mas o que observamos após os resultados não nos dá a confiança de que os sinais positivos serão seguidos de forma sólida. Mantemos nossa recomendação neutra inalterada, juntamente com a nossa hipótese de que a Petrobras tem 80% de chance de enfrentar um aumento de capital nos próximos 12 meses. O que ouvimos durante a conferência de imprensa nos deixou mais preocupados", afirmam os analistas. Isso porque, avaliam, a estatal mostrou esforço menor para reduzir a alavancagem e a companhia e o governo sinalizam um recuperação do ritmo de investimentos ao invés de uma intenção clara de reduzir o endividamento para preservar o balanço para o futuro.

"Os resultados da Petrobras foram realmente fracos e ficaram abaixo do esperado. De certa maneira, decepcionante à luz das recentes expectativas e do rali das ações", afirmam os analistas do BTG, que reduziram a previsão de lucro por ação em 2015 em 21% e em 8% em 2016.

Já a equipe do HSBC elevou o preço-alvo para os ativos da companhia, passando de R$ 7 para R$ 9, mas mantendo a recomendação de reduzir a exposição nos ativos, destacando que ainda há ceticismo em relação aos fundamentos da companhia. O HSBC também mostrou preocupação com relação à alavancagem e as opções para desalavancar a companhia ou mesmo para financiar investimentos no curto prazo, que são incertos. Por outro lado, o banco destacou que a estatal tomou o primeiro passo importante para reconquistar a credibilidade dos investidores, com ajustes bem acima do esperado devido à corrupção e impairment.

A alavancagem também é uma preocupação observada pelo analista Auro Rozenbaum, do Bradesco BBI, em meio aos problemas estruturais da companhia. A estatal, avalia, não obtém lucro com o atual preço do brent, ao mesmo tempo em que tem uma equação de fluxo de caixa urgente e desafiadora para resolver e ter apresentado um guidance de produção bastante ruim para 2015. "Os resultados auditados da Petrobras e baixas contábeis não ajudam a resolver problemas estruturais da companhia", afirma Rozenbaum, destacando que a estatal precisa adotar uma série de medidas difíceis para lidar com os problemas atuais, que incluem cortar Capex, uma venda agressiva de ativos, entre outros. "A Petrobras terá de passar por processo de reestruturação profundo", avalia ele, destacando que, provavelmente, a empresa terá sua nota rebaixada por agências de classificação de risco.

Atenção se volta para o plano de investimentos
Com o resultado divulgado, o Santander destaca que os olhos se voltarão para a atualização do plano de investimentos, que deve ocorrer nos próximos trinta dias. "Nosso caso base, que incorpora Capex mais baixo, crescimento da produção mais fraca e alienações de ativos mostra que a Petrobras tem a necessidade de levantar fundos para manter seu capital em níveis históricos".  Assim, para manter esta perspectiva, o plano estratégico demandaria uma combinação significativa de Capex menor e uma política de preços um tanto improvável, na opinião do banco. "Nossa análise do cenário mostra que, mesmo sob um ambiente mais favorável (o que é improvável, na nossa opinião), a perspectiva fundamental e financeira permanece sem brilho", atesta o banco.

Dividendos
Auro Rozenbaum, analista do Bradesco BBI, destaca ainda a fala do presidente da Petrobras Aldemir Bendine de que a companhia não pagará dividendos referentes ao ano de 2014. Por um lado, há o entendimento de que o pagamento dos dividendos para as ações preferenciais são obrigatórios e devem ser pagos. Contudo, eles podem ser adiados por dois anos. Já no caso das ações ordinárias, a situação dependerá da capacidade da companhia apresentar lucro. Caso não, não é necessário o pagamento de dividendos.

Mas há boas notícias?
Apesar da preocupação com a estatal, a publicação do balanço auditado é o passo mais importante dado recentemente pela Petrobas, na medida em que dissipa o risco de os credores pedirem antecipação para o pagamento das dívidas, evita o risco de um novo rebaixamento imediato do rating e pode reabrir o mercado para captação de bônus no exterior para empresas brasileiras. A avaliação é do analista de petróleo do banco BBVA em Nova York, Jose Bernal, em entrevista à Agência Estado. "Muito provavelmente, o balanço vai reabrir a porta para a emissão de títulos globais de empresas brasileiras", disse ele. A própria Petrobras vai poder voltar ao mercado, avalia, mas muito provavelmente pagando um custo mais alto. A publicação dos resultados, porém, embora positiva, não resolve todos os problemas, diz. "O legado da Operação Lava Jato continua”, diz Bernal. Para o analista, é preciso ver como a empresa planeja se reerguer, resolver as finanças e o alto endividamento e ainda como investirá em um momento de preços baixos do petróleo no mercado internacional. Segundo Bernal, o mercado quer ver uma "nova Petrobras" (pós-Lava Jato), diferente da "velha Petrobras" (pré-Lava Jato).

*Com Agência Estado


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